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Publicado em 02/02/2026, às 09h30 - Atualizado às 09h56 Foto: Reprodução/Unsplash Fernanda Montanha
Autoridades sanitárias do Reino Unido divulgaram um comunicado após a identificação de mortes ligadas a quadros severos de inflamação pancreática em pessoas que utilizavam medicamentos indicados para controle de peso e diabetes.
Os casos envolvem fármacos amplamente prescritos, como o Wegovy, da Novo Nordisk, e o Mounjaro, produzido pela Eli Lilly, segundo o portal IG.
A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde, a MHRA, informou que a pancreatite associada a esses tratamentos é classificada como rara. Ainda assim, parte das ocorrências analisadas apresentou gravidade elevada, incluindo evolução para óbito, o que motivou a atualização das recomendações de segurança.
O alerta abrange medicamentos que atuam no organismo por meio da ativação do hormônio GLP-1, além daqueles que também estimulam o GIP. Essas substâncias são utilizadas tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto em estratégias farmacológicas contra a obesidade.
Autoridades britânicas destacam que advertências semelhantes já haviam sido emitidas por órgãos reguladores de outros países, ampliando o monitoramento internacional sobre o tema.
Segundo a MHRA, a orientação é que médicos reforcem a avaliação clínica antes da prescrição, levando em conta condições prévias que possam aumentar o risco de complicações pancreáticas. Pacientes também devem ser informados sobre possíveis sintomas associados ao efeito adverso.
Entre 2007 e outubro de 2025, a agência britânica recebeu aproximadamente 1,3 mil notificações de pancreatite relacionadas ao uso desses medicamentos.
Desse total, foram registrados 19 óbitos e 24 diagnósticos de pancreatite necrosante, considerada uma das formas mais graves da doença. No mesmo período, cerca de 25 milhões de unidades desses remédios foram distribuídas no Reino Unido.
Apesar do volume expressivo de dispensações, a MHRA reforça que a baixa incidência não elimina a necessidade de atenção clínica, especialmente diante de sintomas persistentes ou intensos.
A agência orienta que usuários procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal contínua, sobretudo quando o desconforto se estender para as costas e vier acompanhado de náuseas ou vômitos. Esses sinais podem indicar inflamação pancreática e exigem avaliação rápida, segundo o órgão regulador.
Outro ponto destacado é a necessidade de investigação ativa por parte dos profissionais de saúde. A MHRA alertou que medicamentos adquiridos fora do sistema público podem não constar nos registros do NHS, o que torna essencial questionar diretamente o paciente sobre o uso dessas substâncias.
Em posicionamentos separados, Novo Nordisk e Eli Lilly afirmaram que seus medicamentos devem ser utilizados apenas sob acompanhamento médico.
As empresas reiteraram que acompanham os relatos de eventos adversos e mantêm atualizadas as informações de segurança para profissionais de saúde, reforçando a importância do uso responsável desses tratamentos.