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Publicado em 08/10/2026, às 23h40 Foto: Divulgação Andrezza Souza
A Carbon é uma empresa especializada na blindagem de veículos civis, com sede em Barueri, na Grande São Paulo. Fundada em 2015, a companhia atende marcas como Volvo, Jaguar, Land Rover, Toyota e BYD. Agora, enfrenta dificuldades financeiras e tenta renegociar uma dívida de R$ 371,47 milhões por meio de um plano de recuperação extrajudicial.
A empresa afirma ser a maior blindadora de veículos civis do mundo. Segundo informações institucionais, já produziu mais de 30 mil carros blindados e alcançou mais de 6,3 mil unidades em 2025, ano em que registrou faturamento líquido de R$ 673 milhões.
A operação inclui serviços de blindagem, fabricação de vidros balísticos, assistência técnica e manutenção automotiva. A Carbon também atua no segmento de frotas corporativas e exporta veículos blindados para mercados da Europa, Oriente Médio, África, Oceania e Américas.
Entre os projetos destacados pela companhia está a homologação global de sua blindagem pela Volvo. A empresa também afirma ter realizado a primeira blindagem de um Tesla Model S, em 2016.
Apesar do aumento da receita, a companhia atribui suas dificuldades ao custo elevado do crédito e aos investimentos realizados para ampliar a capacidade industrial.
Um dos projetos citados é a fábrica de vidros blindados em Jarinu, no interior de São Paulo. A unidade recebeu cerca de R$ 80 milhões em investimentos e começou a operar em abril de 2026, com atraso de quase 12 meses em relação ao cronograma inicial.
Segundo os dados apresentados no plano de recuperação, o custo médio da dívida chegou a 22% ao ano. Os compromissos financeiros com vencimento nos 12 meses seguintes somavam R$ 139 milhões, enquanto a geração de caixa prevista era de R$ 52 milhões.
O faturamento líquido do grupo passou de R$ 465 milhões, em 2024, para R$ 673 milhões, em 2025, uma alta de aproximadamente 45%. O avanço da receita, porém, não impediu a pressão sobre o caixa.
O pedido de recuperação extrajudicial envolve a C Blindados, a Opera Glass e a Vertco Blindagem. O plano foi assinado em 21 de setembro e apresentado à Justiça de São Paulo em 5 de outubro.
Dos R$ 371,47 milhões incluídos na negociação, R$ 315,6 milhões correspondem a credores financeiros, cerca de 85% do total. Entre os principais credores estão o Amadeus Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com R$ 95,27 milhões, e o Banco Digimais, com R$ 61,43 milhões.
A proposta prevê captar entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões em novos recursos. Os credores que participarem do financiamento poderão receber a totalidade dos valores devidos, corrigidos pelo DI, com acréscimo anual entre 3% e 6,5%.
Para os credores que não aderirem à captação, o plano prevê outras condições. Uma das alternativas estabelece o pagamento de 15% da dívida em 18 parcelas. Já a opção padrão prevê a recuperação de 5% do valor devido, com a maior parcela programada para o nono ano.
Quando o pedido foi apresentado, credores que representavam 47,63% dos créditos abrangidos já haviam aderido ao plano. A proposta precisa atingir o percentual mínimo exigido para avançar e ainda pode receber questionamentos dos credores.
Na manhã de 8 de outubro, não havia decisão judicial sobre o processamento do caso. A renegociação busca reorganizar os pagamentos da companhia diante dos compromissos financeiros e dos custos associados à expansão industrial.
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