Polícia
Publicado em 15/10/2026, às 16h00 Foto: Reprodução/Alesp Amanda Ambrozio
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico, afirmou nesta quinta-feira (15) que um policial pode ter dificuldade para interromper os disparos durante uma ocorrência.
A declaração foi feita após a cerimônia de comemoração dos 56 anos da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), quando ele foi questionado sobre os 51 tiros disparados contra dois homens em duas ações policiais na capital paulista, com intervalo de sete dias.
Ao comentar os casos, Nico afirmou que os procedimentos adotados pelos agentes serão investigados pela Corregedoria da Polícia Militar e defendeu que as circunstâncias de cada ocorrência sejam analisadas.
“A gente tem que repensar também que o policial não está ali pra morrer. O que for apurado pela corregedoria, eu não vou discutir. Existe um protocolo e esse protocolo tem que ser seguido. Tem que ser seguido, mas aí você, na hora de parar, talvez seja mais difícil do que na hora de atirar. Isso vai ser apurado. Ninguém tá escondendo nada”, disse o secretário.
A Ouvidoria da Polícia de São Paulo acionou a Corregedoria da Polícia Militar e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) para solicitar uma apuração rigorosa das duas mortes decorrentes de intervenções policiais.
O primeiro caso ocorreu em 3 de outubro, na Brasilândia, Zona Norte da capital. Segundo informações encaminhadas à Ouvidoria, Antonio Nunes Batista foi atingido por 24 tiros após avançar contra policiais militares com uma faca na mão.
A segunda ocorrência foi registrada em 10 de outubro, no bairro de Moema, Zona Sul. Na ocasião, Gustavo Munis de Santana foi baleado 27 vezes durante uma abordagem policial.
De acordo com a Ouvidoria da Polícia Militar, os agentes teriam confundido o celular que o jovem segurava com uma arma de fogo.
Os dois episódios estão sob apuração, e as circunstâncias das mortes deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis, segundo o SBT News.
Ao comentar a ocorrência de Moema, o secretário afirmou que as imagens divulgadas do caso também precisam ser consideradas na avaliação da atuação dos policiais. Ele disse que, sem os registros, a situação dos agentes poderia ser vista de outra maneira.
“Eu me coloco também no lugar do policial. Quem viu aquelas imagens, se não tivesse aquela imagem, como que estaria a situação dos policiais? Olha, depois que apareceu a imagem, por favor, isso aqui é duro pro policial decidir, né? Mas o cara pegou só uma posição tática de tiro, entendeu?”, afirmou Nico.
O secretário também ressaltou que a orientação da pasta é evitar confrontos. As duas ocorrências voltaram a colocar em discussão o uso da força policial, a preparação dos agentes e os procedimentos adotados durante abordagens.
Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) indicam que a letalidade policial em São Paulo caiu 5,1% entre 2024 e 2026, considerando os períodos de janeiro a agosto de cada ano.
A pasta atribui a redução a medidas preventivas, incluindo investimentos em tecnologia, treinamento, inteligência policial, planejamento e revisão de procedimentos operacionais.
Apesar da queda apontada no balanço, as mortes de Antonio Nunes Batista e Gustavo Munis de Santana reacenderam o debate sobre os limites do uso da força e a necessidade de investigar as circunstâncias de cada intervenção.
Ao encerrar a declaração, Nico reiterou que o objetivo da segurança pública não é provocar confrontos.
“A gente não quer isso [pessoas baleadas], né? A gente não quer o confronto, não quer nada disso”, concluiu.
'Foi ação legítima', diz secretário sobre abordagem da PM que matou jovem com 27 tiros em SP
PM aposentado é preso após atirar contra jovens por causa de cheiro de cigarro eletrônico em SP