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Atentado ao Aeroporto: "Ninjas" de Guarulhos continuam monitorando o local

Responsáveis pela tentativa de invasão no fim de julho, os chamados "ninjas" de Guarulhos continuam tentando traficar no Aeroporto  |  Foto: Reprodução

Publicado em 17/08/2026, às 13h10   Foto: Reprodução   Amanda Ambrozio

Mesmo após o tiroteio entre criminosos e agentes da Polícia Federal (PF) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, traficantes continuam monitorando áreas do entorno do terminal para tentar introduzir cargas de cocaína em aviões.

A informação foi obtida pela Polícia Civil durante uma investigação sobre os chamados “ninjas”, grupo especializado em invadir áreas restritas do aeroporto para colocar drogas em aeronaves.

Segundo a polícia, integrantes da quadrilha se abrigam na Comunidade Portugal, nos arredores do aeroporto, de onde observam a movimentação e estudam pontos considerados vulneráveis.

Cada membro teria uma função específica, que inclui fazer a vigilância do local, mapear acessos, garantir a segurança dos demais criminosos e acompanhar a movimentação das forças policiais.

Mensagens mostram divisão de tarefas

Mensagens de WhatsApp mostram como os integrantes organizavam as ações.

Em um grupo chamado “Sem luta não a [sic] conquista”, os criminosos compartilhavam fotografias e combinavam os locais onde cada integrante deveria permanecer durante as chamadas “campanas”, como é conhecida a observação da movimentação de determinada área.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Guarulhos.

Segundo os investigadores, integrantes específicos ficavam responsáveis pela segurança do grupo e utilizavam armamento pesado.

A polícia ainda tenta identificar todos os integrantes dos “ninjas” de Guarulhos e estabelecer a função de cada um dentro da organização. Até o momento, sete pessoas ligadas ao grupo foram presas.

Os investigadores também suspeitam da participação de funcionários do próprio aeroporto no esquema. Segundo o portal Metrópoles, esses funcionários poderiam ser responsáveis por recolher os entorpecentes deixados pelos criminosos e colocá-los dentro das aeronaves.

Fotos do Aeroporto tiradas pelos traficantes (Foto: Reprodução)
Policiais federais impedem invasão ao Aeroporto de Guarulhos (Foto: Reprodução)
Policiais federais impedem invasão ao Aeroporto de Guarulhos (Foto: Reprodução)
Policiais federais impedem invasão ao Aeroporto de Guarulhos (Foto: Reprodução)

Quatro suspeitos foram presos em nova ação

A permanência do grupo nas proximidades do aeroporto foi identificada durante uma operação da Dise realizada na terça-feira (11). Quatro homens foram presos, incluindo pessoas que moravam na Comunidade Portugal.

Segundo o delegado Alexandre Cavalheiro, responsável pela investigação, os suspeitos têm ligação direta com os criminosos envolvidos no confronto com a PF em 31 de julho.

“Policiais desta especializada receberam informação de que um grupo de criminosos, conhecidos como ‘ninjas’, iriam introduzir clandestinamente, através do rompimento de grades, entorpecentes no Aeroporto Internacional de Guarulhos, por dentro da comunidade Jardim Portugal”, explicou o delegado.

Durante a operação, foram apreendidos objetos que, segundo a polícia, têm relação com as ações criminosas.

Entre eles estão toucas semelhantes às utilizadas pelos integrantes que participaram do confronto com os agentes federais e veículos que teriam sido usados na nova tentativa de invasão.

Um dos presos também teria apresentado aos investigadores mensagens do grupo de WhatsApp utilizado pelos criminosos para organizar as ações.

“Ele [preso] afirmou que pertencia aos ‘ninjas’, bem como seus comparsas também capturados, e que pertenciam ao mesmo grupo que trocou tiros com policiais federais ao tentar ingressar clandestinamente com grande quantidade de entorpecente no Aeroporto Internacional de Guarulhos”, afirmou Cavalheiro.

Tiroteio com a Polícia Federal ocorreu em julho

A investigação ganhou força após o confronto ocorrido em 31 de julho, quando cerca de dez criminosos armados com fuzis invadiram uma área restrita do Aeroporto de Guarulhos para tentar embarcar uma carga de cocaína em uma aeronave com destino à Europa.

Os agentes federais identificaram a movimentação e impediram a ação. Houve troca de tiros, mas ninguém ficou ferido. Parte da carga foi apreendida pela PF.

Dias depois, três suspeitos de participação na ação foram presos em uma operação conjunta de policiais federais e militares.

Como os “ninjas” agem

De acordo com as investigações, o primeiro passo da quadrilha é identificar pontos vulneráveis no perímetro do aeroporto. Os integrantes fotografam os locais, analisam a presença de policiais e estudam rotas de acesso e fuga.

Depois, os criminosos rompem grades para entrar na área restrita e deixam fardos de drogas em pontos previamente definidos.

A polícia suspeita que, posteriormente, funcionários do aeroporto recolham os entorpecentes e façam a introdução da carga nas aeronaves.

O esquema também envolveria o acompanhamento da movimentação de viaturas e o monitoramento das rotas utilizadas pelas forças de segurança.

A partir das informações coletadas, os integrantes definem os melhores horários e caminhos para entrar e deixar a área sem serem identificados.

A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar outros integrantes da quadrilha e esclarecer a possível participação de funcionários do aeroporto. Os investigadores acreditam que o grupo seja maior do que o número de pessoas já presas.

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