Polícia
Publicado em 19/10/2026, às 14h35 - Atualizado às 14h40 Foto: Reprodução Amanda Ambrozio
Uma mulher foi flagrada chamando um estudante de direito de “preto do c******” cinco vezes em uma estação do metrô de São Paulo, na noite do último domingo (18).
O episódio ocorreu depois que o jovem tentou intervir em uma discussão dentro de um vagão para evitar um confronto físico. Durante a gravação, a mulher se identifica como bolsonarista.
O estudante Márcio Ferreira registrou a situação em vídeo na estação Vila Sônia, da Linha 4 - Amarela, por volta das 19h50. As imagens mostram a mulher repetindo ofensas racistas e, em determinado momento, admitindo ter chamado o rapaz de “preto de bosta” diante de um segurança da concessionária Motiva.
A conduta pode configurar crime de injúria racial. Desde 2023, a legislação brasileira equipara esse tipo de prática ao crime de racismo, com previsão de pena de reclusão e multa.
Segundo Márcio, a mulher estava acompanhada da filha, uma estudante, quando começou a discutir com três jovens dentro do trem. O grupo conversava sobre os possíveis impactos de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para a educação pública.
Durante a discussão, a mulher teria se levantado e dirigido ofensas homofóbicas aos jovens. Ao perceber que a situação poderia terminar em confronto físico, Márcio decidiu intervir, embora não conhecesse nenhum dos envolvidos.
A filha da mulher chorava enquanto a discussão acontecia. O estudante afirma que tentou conter os ânimos e evitar que a situação se agravasse.
“Quando falei de ela ser bolsonarista e eu defendê-la mesmo sendo contrário ao bolsonarismo, ela surtou e começou a me xingar. Disse que xinguei ela de bolsonarista”, relatou Márcio.
Foi nesse momento, segundo o estudante, que começaram as ofensas racistas.
Nas imagens gravadas por Márcio, a mulher repete a expressão “preto do caralho” e afirma ser bolsonarista “graças a Deus”.
Em seguida, ela também chama o estudante de “ridículo” e “hipócrita”. Márcio reage, chamando-a de “racista de merda”, e um segurança da Motiva intervém na discussão.
A mulher então pede que o estudante seja preso por tê-la chamado de racista e admite ter usado outra expressão discriminatória.
“Eu falei que ele é um preto de bosta”, diz ela no vídeo. O segurança responde: “Isso é racismo”.
Em entrevista ao Metrópoles, Márcio afirmou que tentou ajudar a mulher mesmo discordando de seu posicionamento político, mas se arrependeu da decisão.
“Mesmo sabendo que ela era bolsonarista, eu tentei ajudar. Mas me arrependo amargamente”, declarou.
Márcio afirmou que decidiu não registrar boletim de ocorrência naquela noite. Segundo ele, após o episódio, recebeu acolhimento dos seguranças da concessionária responsável pela estação.
A Lei nº 7.716/1989 prevê punição para condutas discriminatórias ou ofensivas motivadas por raça, cor, etnia ou procedência nacional. Desde a alteração legislativa de 2023, a injúria racial passou a ser tipificada na própria Lei do Racismo.
O caso registrado no metrô de São Paulo pode ser levado às autoridades para apuração, que deverá considerar as imagens, os relatos dos envolvidos e os demais elementos disponíveis.
Até a publicação, não havia informação sobre a abertura de investigação policial ou eventual responsabilização da mulher.
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