Polícia

Caso Juliana reacende alerta: veja riscos e sinais de piscina mal tratada

Morte da professora Juliana Faustino Bassetto chama atenção para o desequilíbrio químico e seus riscos em piscinas coletivas  |  Foto: Reprodução/TV Globo

Publicado em 12/02/2026, às 20h30 - Atualizado às 20h31   Foto: Reprodução/TV Globo   Marcela Guimarães

A morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após utilizar a piscina da academia C4 Gym, no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo, chama atenção para os riscos associados ao uso de piscinas com tratamento inadequado da água.

Especialistas apontados pelo g1 explicam que, em espaços de uso coletivo (como academias, clubes e condomínios), o controle rigoroso da qualidade da água é essencial para evitar intoxicações e outros danos à saúde.

A aplicação correta dos produtos químicos, nas quantidades adequadas, é o principal fator de segurança.

Responsabilidade técnica

Uma apuração do Conselho Federal de Química determina que piscinas de uso coletivo devem ter um responsável técnico habilitado na área de Química.

Caso o tratamento seja realizado internamente, a pessoa encarregada precisa ter pelo menos treinamento básico específico para manipulação dos produtos e controle dos parâmetros da água.

A medida busca evitar falhas que possam colocar a saúde em risco.

Juliana Faustino Bassetto, vítima da fatalidade na academia C4 Gym (Foto: Reprodução/TV Globo)

Cheiro forte e água turva

Entre os primeiros indícios de que a piscina pode não estar própria para uso estão o cheiro intenso de cloro e o aspecto turvo da água.

Especialistas alertam que a presença de um odor muito forte não é sinal de limpeza, mas pode indicar excesso de produto químico ou desequilíbrio nas reações que mantêm o cloro estável na água.

A água também não deve apresentar coloração esverdeada, amarelada, leitosa ou aparência opaca, já que essas alterações podem indicar proliferação de algas ou descontrole químico.

No caso investigado na academia, a suspeita inicial é de que tenha havido excesso de substâncias responsáveis por gerar o cloro ou alteração significativa do pH, o que pode ter favorecido a liberação do gás tóxico.

Desequilíbrio químico libera gás tóxico

O cloro dissolvido na água mantém um equilíbrio químico natural. Quando esse equilíbrio é rompido, pode ocorrer a liberação de cloro gasoso na superfície da piscina. Como esse gás é mais denso que o ar, tende a se concentrar próximo ao nível da água.

A movimentação intensa, como durante aulas de natação ou atividades aquáticas, pode acelerar esse processo. A agitação facilita a liberação do gás e aumenta sua concentração na superfície, elevando o risco de inalação.

Os sintomas mais comuns incluem ardência nos olhos, irritação na garganta e no nariz, tosse, dificuldade para respirar e forte odor químico no ambiente.

Intoxicação pode atingir os pulmões

A exposição ao cloro gasoso pode causar danos ao sistema respiratório. Ao ser inalado, o gás reage com a umidade natural das mucosas e forma substâncias ácidas que irritam e lesionam os tecidos, principalmente nos pulmões.

Em casos mais graves, a intoxicação pode comprometer a respiração e exigir atendimento médico imediato.

Com a presença de sintomas como falta de ar ou ardência intensa, a orientação é sair da piscina imediatamente e procurar um ambiente aberto para respirar ar puro, além de acionar serviços de emergência.

Controle do pH é essencial

Profissionais que trabalham com manutenção de piscinas reforçam que o controle do pH é etapa fundamental antes da aplicação de qualquer produto.

Se o pH estiver elevado, a simples adição de cloro não resolve o problema, pois a substância pode não agir corretamente.

O processo correto envolve estabilizar o pH, aplicar os produtos necessários e aguardar um período de decantação, que pode chegar a 24 horas, antes de liberar novamente o uso da piscina.

Produtos químicos não devem ser misturados

Outro ponto crítico é o manuseio inadequado de produtos. Redutores de pH e cloro, por exemplo, são substâncias fortes e não devem ser misturados diretamente, pois podem gerar reações perigosas.

O armazenamento também exige cuidados específicos, já que alguns compostos podem reagir com o ambiente e até apresentar risco de combustão se mal preservados.

Assim, especialistas destacam a necessidade de profissionais qualificados para calcular dosagens, entender as reações químicas envolvidas e garantir a devida segurança.

Outros sinais

Além do cheiro forte e da água turva, há outros indícios de possível problema na manutenção:

Esses sinais podem indicar falhas no tratamento ou desequilíbrio químico. Ao perceber cheiro forte, irritação ou alteração na aparência da água, o indivíduo deve deixar a piscina imediatamente.

Caso surjam sintomas respiratórios ou desconforto intenso, é essencial buscar atendimento médico imediato.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSão PauloMorteZona Leste

Leia também


Governo libera R$ 75 milhões para modernização urbana em Guarulhos


Polícia confirma causa da morte em piscina de academia na zona leste de SP