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Polícia

Casos que marcaram SP: Relembre sequestro de Washington Olivetto que ficou trancado por mais de 50 dias

Sequestradores exigiam pagamento de R$ 10 milhões para libertar Washington Olivetto de um cativeiro no bairro do Brooklin  |  Reprodução/ Redes Sociais

Publicado em 09/10/2026, às 07h00   Reprodução/ Redes Sociais   Bernardo Rego

O publicitário Washington Olivetto foi vítima de um sequestro no dia 11 de dezembro de 2001 durante uma falsa blitz no bairro de Higienópolis, em São Paulo. O crime foi cometido por quatro pessoas que teriam arquitetado o crime com toda cautela possível. 

O Bnews SP relembra alguns crimes que marcaram o estado de São Paulo trazendo inclusive fatos recentes relacionados aos fatos. À época dos fatos Olivetto tinha 50 anos e os sequestradores agrediram o seu motorista e o levaram até outro carro. 

O crime foi pensado de forma minuciosa durante dez meses por uma célula formada por chilenos e argentinos vinculados a grupos de extrema-esquerda, como a Frente Patriótica Manoel Rodrigues (FPMR) e o Movimento Esquerda Revolucionária (MIR). O grupo criminoso exigiu o pagamento de um resgate fixado em R$ 10 milhões, mas o dinheiro não foi pago.

O publicitário ficou em um cativeiro no bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, durante 53 dias, trancado em um cubículo de apenas 3 m² (um metro de largura por três metros de comprimento), desprovido de janelas, iluminação natural ou instalações sanitárias adequadas. Para desorientar o publicitário e provocar a perda da noção do tempo, os sequestradores mantinham equipamentos de som tocando continuamente no ambiente.

O mentor intelectual do crime foi o ex-guerrilheiro chileno Mauricio Hernández Norambuena, conhecido pelo codinome "Comandante Ramiro" e antigo líder de facções contrárias à ditadura de Augusto Pinochet no Chile. Ao ser capturado, o líder da operação conseguiu contatar os carcereiros de um orelhão para avisar sobre a prisão, fazendo com que os comparsas abandonassem a residência onde guardavam o refém.

Ao perceber que o local estava vazio Olivetto passou a dar socos na parede e a gritar por socorro quando uma vizinha, estudante de medicina, percebeu os ruídos com o auxílio de um estetoscópio e acionou a Polícia Militar, que efetuou a libertação do publicitário em 2 de fevereiro de 2002. A Polícia Civil prendeu os seis integrantes do bando em uma chácara no município de Serra Negra, no interior de São Paulo. 

O publicitário Washington Olivetto faleceu no Rio de Janeiro, em outubro de 2024, aos 73 anos de idade.

Sextante/Divulgação
Reprodução /YOUTUBE FECOMÉRCIOSP
Reprodução
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Reprodução/ Redes Sociais

Condenação

Os acusados do sequestro foram condenados pela juíza Kenarik Boujikian Felippe, titular da 19ª Vara Criminal de São Paulo, a 16 anos de prisão. Os condenados são Maurício Norambuena Hernandes, William Beserra, Carina Lopes, Marco Ortega, Alfredo Moreno e Marta Ligia Mejia.

Na decisão, a que o Bnews SP teve acesso, a juíza enfatizou que "o conjunto probatório indica que eles estavam participando ativamente do crime." Ela acrescentou que "não se pratica um crime desta natureza, com o planejamento que foi realizado, chamando outras pessoas apenas para fazerem companhia."

A magistrada determinou ainda:

Desdobramentos

O desfecho mais recente dessa trajetória transcorreu na esfera do Direito Internacional, quando a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) condenou o Estado brasileiro por violações às garantias fundamentais de Norambuena durante seu período de reclusão no país

O tribunal internacional concluiu que o Brasil violou a Convenção Americana e as Regras de Mandela ao manter o chileno por quase cinco anos no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) nas penitenciárias de Taubaté e Presidente Bernardes, sob isolamento por mais de 22 horas diárias sem contato humano significativo e sem acesso célere a recursos judiciais

Como sanção, o país foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais e custas processuais, além de ser obrigado a readequar a interpretação interna do RDD aos parâmetros internacionais. Contudo, a decisão da Corte IDH não declarou a ilegalidade do RDD em si, preservando a validade dos regimes de segurança máxima para presos de alto risco, desde que respeitados os princípios de proporcionalidade e estrita temporariedade.

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TagsSão PauloJustiçaPolícia CivilcrimesequestroHigienópoliscondenaçãoBrooklinWashington olivetto

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