Polícia
Publicado em 16/09/2026, às 18h21 Foto: Reprodução/Magnific Marina do Val
O Centro de Informações Toxicológicas (CIATox) da Unicamp detectou, nesta quarta-feira (16), a presença de duas novas substâncias psicoativas na saliva humana.
As drogas sintéticas, conhecidas pelas siglas DCK (desclorocetamina) e 2-FDCK (2-fluorodesclorocetamina), foram identificadas em exames realizados com frequentadores de festas no estado de São Paulo.
As análises laboratoriais confirmaram a presença dos compostos em quatro amostras de saliva coletadas durante os eventos, sendo que a testagem no fluido oral é considerada um marcador incontestável de uso recente, comprovando que os voluntários estavam sob o efeito direto das substâncias no momento da coleta.
Um dos pontos mais alarmantes revelados pelo estudo é que parte dos usuários não sabia o que estava ingerindo.
Em dois dos casos registrados, os participantes relataram ter consumido apenas drogas conhecidas como "bala" ou "MD", termos popularmente associados ao MDMA.
Os pesquisadores do CIATox destacam que a DCK e a 2-FDCK não são metabólitos, o que significa que não são produzidas pelo próprio organismo após o consumo da cetamina tradicional.
Isso demonstra que as substâncias foram inseridas intencionalmente no material ilícito de forma primária, provavelmente utilizadas como adulterantes para baratear custos ou potencializar os efeitos do produto final.
Segundo Náthaly Bueno, pesquisadora do CIATox, em entrevista para o G1, esses compostos costumam ser sintetizados clandestinamente com o objetivo de burlar as listas oficiais de substâncias controladas, exigindo um esforço contínuo de atualização por parte das autoridades de saúde e segurança pública.
Com estrutura química semelhante à da cetamina, um anestésico de uso médico desviado para fins recreativos devido ao seu potencial dissociativo, as novas drogas ainda carecem de estudos aprofundados sobre potência, duração no organismo e impactos de longo prazo.
No caso específico da 2-FDCK, relatórios internacionais já registram episódios graves de intoxicação, necessidade de internações hospitalares e até mortes associadas ao uso.
Entre os principais efeitos e riscos associados estão reações psíquicas como dissociação intensa, confusão mental, alucinações e distorções sensoriais, além de efeitos físicos agudos que incluem hipertensão arterial, taquicardia, agitação psicomotora, perda de coordenação motora e risco de perda de consciência.
A identificação inédita em fluido oral gera preocupação nas autoridades para o surgimento constante de novas variantes químicas no mercado ilegal de drogas sintéticas.
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