Polícia
Publicado em 14/05/2026, às 11h42 Foto: reprodução/Unsplash Fernanda Montanha
O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP) deflagrou nesta quinta-feira (14) a Operação Refugo para combater um esquema de sonegação fiscal que teria causado prejuízo superior a R$ 2,5 bilhões em tributos.
A ação reúne o Ministério Público de São Paulo, a Secretaria da Fazenda e Planejamento e a Procuradoria-Geral do Estado. Também participam a Receita Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, o GAECO e as polícias Civil e Militar.
Ao todo, foram expedidos 46 mandados de busca e apreensão em 48 endereços espalhados por 14 cidades paulistas. Entre os municípios estão São Paulo, Barueri, Jundiaí e São Bernardo do Campo. Os alvos incluem residências, empresas e escritórios ligados aos investigados, segundo o MPSP.
Segundo a apuração, três grandes grupos empresariais do setor de plásticos teriam utilizado ao menos 60 empresas de fachada para criar créditos tributários falsos. O objetivo seria reduzir artificialmente o pagamento de impostos estaduais e federais.
As investigações apontam que o esquema envolvia emissão de notas fiscais frias, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, beneficiando empresas que usavam esses créditos irregulares para diminuir encargos como ICMS, IPI, PIS, Cofins e Imposto de Renda.
O funcionamento da fraude ocorria em três frentes integradas. No fluxo de mercadorias, os produtos saíam de importadores, indústrias de resina plástica e intermediários para recicladoras e fabricantes do setor plástico.
No fluxo documental, empresas interpostas emitiam sucessivas notas fiscais falsas entre si até alcançar as companhias favorecidas, dando aparência de legalidade às operações e permitindo o aproveitamento de créditos inexistentes.
Já no fluxo financeiro, os valores pagos pelas empresas beneficiadas eram redistribuídos entre operadores, intermediários, empresas patrimoniais e pessoas físicas ligadas ao grupo investigado.
A apuração também revelou que parte dos recursos era usada para despesas pessoais e compra de bens de luxo, incluindo viagens, clubes náuticos, lojas de vinhos e aquisição de imóveis e veículos de alto valor.
Agora, a análise dos materiais apreendidos, tanto físicos quanto digitais, buscará comprovar a participação dos envolvidos e identificar outros possíveis crimes relacionados à fraude tributária.
A operação mobilizou mais de 530 agentes públicos e pretende avançar na responsabilização criminal e tributária dos suspeitos.