Polícia
Publicado em 21/04/2026, às 09h37 Reprodução/Freepik Fernanda Montanha
Criminosos passaram a registrar furtos de celulares em diferentes regiões de São Paulo e divulgar as imagens online. As gravações, publicadas em diversos perfis, mostram ações em tempo real e acabam funcionando como vitrine dos crimes.
Nos registros, aparecem abordagens variadas, como furtos com bicicletas, ataques a motoristas com quebra de vidro e ações dentro do transporte público. Nesse cenário, as imagens acumulam milhares de visualizações e exibem desde o momento do crime até a fuga, muitas vezes acompanhadas de comemorações.
Em vários casos, há participação de comparsas apenas para filmar. O conteúdo também inclui fotos de celulares roubados e dinheiro, além de referências ao artigo 155 do Código Penal, que trata de furto, segundo o G1.
Apesar da repercussão dos vídeos, dados oficiais indicam redução nos casos. Informações do governo paulista mostram queda de 20% nos roubos de celulares no primeiro bimestre, em comparação ao mesmo período anterior.
Ainda assim, a incidência segue alta. Na prática, a capital registra em média um roubo de celular a cada 10 minutos, o que mantém o tema entre as principais preocupações de segurança pública.
O bairro de Pinheiros lidera o ranking de ocorrências. Entre janeiro e fevereiro, foram ao menos 2.303 registros, o equivalente a cerca de 39 casos por dia.
A Meta, responsável por plataformas como Instagram e Facebook, afirmou que não permite conteúdos que incentivem crimes. A empresa diz remover esse tipo de material quando identificado e colaborar com autoridades.
Mesmo assim, até recentemente, diversos perfis com esse conteúdo permaneciam ativos. Já a Secretaria da Segurança Pública informou que não encontrou registros de ocorrências diretamente ligadas às contas mencionadas.
Para o especialista em segurança pública Rafael Alcadipani, os vídeos refletem um comportamento específico. Segundo ele, os criminosos utilizam as redes para ganhar visibilidade e reconhecimento dentro desse meio, o que reforça a prática.
O pesquisador defende que plataformas e autoridades atuem de forma mais rápida. Ele avalia que a identificação dos responsáveis não é complexa e que medidas mais firmes podem contribuir para conter esse tipo de exposição criminosa.