Polícia

Dezesseis ex-funcionários da Voepass são indiciados pela PF após acidente que matou 62 pessoas

Entre os indiciados estão despachantes de voo, comandantes, inspetor técnico e diretores da Voepass  |  Divulgação/Voepass

Publicado em 06/08/2026, às 16h23   Divulgação/Voepass   Bernardo Rego

Após concluir as investigações a respeito do acidente da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, interior de São Paulo, em agosto de 2024, a Polícia Federal (PF) indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da empresa pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. 

Após os indiciamentos, o inquérito vai ser encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) que vai analisar e decidir se apresenta ou não a denúncia contra os indiciados. Segundo as investigações, o acidente foi causado pelo acúmulo de gelo na aeronave e falhas operacionais da tripulação.  

Confira a lista:

Edson Serra Martins
Luciano Alves de Macedo
Oderlino de Campos Figueiredo
John Major Viana
Marcos Hiroyuki Sato
Alex de Souza Leandro
William Schmidt Agatz
Juliano Flores Pacheco
Raphael Limongi de Figueiredo
Marcel Sarquis Moura
Tiago Passucci Morani
Carlos Alberto Costa
Eric Consoli
Rafael Gimenez Rodrigues
David da Costa Faria Neto
José Luiz Felício Filho

Entre os responsabilizados pelas investigações estão o dono da empresa, José Luis Felicio, e o diretor de manutenção Eric Cônsoli, apontado por ex-funcionários como uma figura de grande influência dentro da empresa.

Em coletiva, o diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC) Carlos Eduardo Palhares explicou que a aeronave já havia apresentado falhas antes do voo que terminou no acidente, mas os problemas não foram registrados nos diários de bordo nem comunicados à área de manutenção pela tripulação.

"Foi uma tripla abordagem: a identificação das vítimas, a documentação do local e a do sinistro aeronáutico. Tinha problema registrado? Não tinha, mas como a aeronave se sinistrou uma série de dados que antes eram ocultos, deixaram de ser ocultos — os dados da caixa preta. Isso trouxe um indicativo muito forte de tudo o que acontecia na operação", disse Palhares. 

Relembre o acidente 

A aeronave que operava o voo PTB-2283 caiu em Vinhedo, no interior paulista no dia 9 de agosto de 2024. Naquele dia, o avião da empresa Voepass saiu do Aeroporto Coronel Adalberto Mendes da Silva, em Cascavel, no Paraná, às 11h58, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

O avião era comandado pelo piloto Danilo Romano, de 35 anos, e pelo copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva, de 61 anos. A tripulação contava ainda com as comissárias de bordo Debora Soper Avila, 28, e Rubia Silva de Lima, 41.

Os 58 passageiros tinham comprado as passagens pela Latam, que comercializava os voos da Voepass. Segundo as famílias, alguns deles não sabiam que viajariam pela empresa.

Três minutos antes do acidente, os pilotos avisaram a torre de comando, em São Paulo, que estavam no ponto ideal para descer rumo ao aeroporto em Guarulhos. Às 13h21, no entanto, o avião começa a perder altitude repentinamente. Um minuto depois, a aeronave caiu no condomínio de casas Residencial Recanto Florido, em Vinhedo, no interior paulista. O acidente deixou 62 mortos, sendo 58 passageiros e 4 tripulantes. Não houve sobreviventes.

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