Polícia
Publicado em 11/08/2026, às 10h05 Foto: Reprodução Tatiana Ribeiro
Seis anos após a morte de Guilherme Silva Guedes, dois ex-policiais militares serão julgados nesta terça-feira (11) pela acusação de participação na execução do adolescente, que tinha 15 anos quando foi morto, em junho de 2020, na cidade de São Paulo.
O júri está marcado para começar às 9h, no plenário 6 da 1ª Vara do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital. A previsão é de que o julgamento dure até dois dias.
Os réus são o ex-sargento Adriano Campos e o ex-soldado Gilberto Rodrigues. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), os dois teriam sequestrado, torturado e assassinado o adolescente enquanto atuavam como seguranças particulares. A Promotoria sustenta que os ex-PMs agiram de forma semelhante à atuação de milicianos.
De acordo com a denúncia, Adriano e Gilberto trabalhavam como seguranças particulares quando teriam suspeitado que Guilherme estava envolvido em um furto ocorrido em uma empresa, onde criminosos teriam levado objetos de veículos estacionados.
Testemunhas, entretanto, contestaram essa versão e afirmaram que o adolescente estava em uma festa no momento do crime. Segundo os relatos, Guilherme deixou o evento e foi abordado por Adriano, que na época era sargento da Polícia Militar e estava à paisana, e por Gilberto, que já havia deixado a corporação.
Imagens de câmeras de segurança registraram Guilherme e Adriano em uma viela no bairro de Vila Clara, na região de Americanópolis, Zona Sul de São Paulo. Esse teria sido um dos últimos registros do adolescente antes de seu desaparecimento.
A Promotoria afirma que Guilherme foi morto com disparos à queima-roupa na boca e na cabeça, em 14 de junho de 2020. O corpo do adolescente foi posteriormente encontrado em Diadema, na Grande São Paulo.
O Ministério Público acusa os dois réus de homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
As defesas de Adriano e Gilberto sustentam que os acusados são inocentes e contestam as acusações apresentadas pelo Ministério Público.
Atualmente, nenhum dos dois acusados pertence à Polícia Militar. Ambos foram expulsos da corporação por infrações disciplinares consideradas graves.
Gilberto foi demitido antes da morte de Guilherme, enquanto Adriano foi expulso posteriormente. Mesmo sem fazer parte da corporação atualmente, os dois respondem na Justiça pelas acusações relacionadas ao assassinato do adolescente.
Em caso de condenação pelo crime de homicídio, a pena pode chegar a 30 anos de prisão, conforme as circunstâncias reconhecidas pela Justiça.
O processo que apura a morte de Guilherme chegou a ser desmembrado em duas ações, uma para cada acusado.
Em 2021, Adriano, que estava preso na época, foi levado a júri e absolvido pela maioria dos jurados. Após a decisão, ele foi colocado em liberdade e passou a responder ao processo nessa condição. Gilberto não participou daquele julgamento porque estava foragido.
No ano seguinte, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acolheu um recurso da acusação e anulou o júri que havia absolvido Adriano.
Os desembargadores entenderam que a decisão dos jurados teria sido contrária às provas apresentadas no processo, especialmente em relação aos elementos que apontavam que Adriano esteve próximo de Guilherme antes do desaparecimento e da morte.
Com a anulação, a Justiça determinou que Adriano fosse submetido novamente ao Tribunal do Júri. Agora, seis anos após o crime, os dois ex-policiais voltam a enfrentar os jurados no caso que investiga a morte do adolescente.
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