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Falsos entregadores usam disfarce do iFood para cometer assaltos em SP

A farda do iFood se tornou um símbolo de insegurança em São Paulo, com casos de assaltos envolvendo falsos entregadores em alta  |  Foto: Divulgação/Ifood

Publicado em 24/09/2026, às 10h16   Foto: Divulgação/Ifood   Natane Ramos

Capacete, moto, mochila nas costas. À primeira vista, essa parece apenas a caracterização de mais um entregador de aplicativo. No entanto, em São Paulo, a farda do iFood passou a transmitir um novo medo de assaltos para a população.

Impacto das plataformas de delivey

O delivery teve uma expansão significativa durante a pandemia, já que as pessoas não podiam sair com frequência, optando pelos pedidos entregues em casa. De acordo com dados da Mobills, uma startup de gestão de finanças pessoais, os gastos com iFood, Rappi e Uber Eats cresceram para 149% em 2020.

Ao mesmo tempo que as entregas por aplicativo ampliaram a forma de consumo, trouxeram preocupações sobre a segurança pública, com os recentes casos de assalto relacionados a plataformas como o iFood.

No caso do iFood, um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) analisou os dados entre outubro de 2021 e setembro de 2022 e apontou que 537.964 pessoas trabalhavam como entregadores no aplicativo, com cerca de 212 mil ativos por mês. 

E é justamente neste período que alguns casos envolvendo criminosos que se disfarçam com as vestes de entregadores, colocando uma bag do delivery na moto, começaram a aumentar, trazendo mais uma insegurança para a sociedade.

Casos registrados

Os falsos entregadores formaram uma estratégia para se aproximar das vítimas, usando uma imagem convidativa, de apenas um trabalhador exercendo sua profissão, para assim abordá-las.

Um dos primeiros casos registrados ocorreu nos Jardins, em São Paulo, em 2022, após dois suspeitos que se passavam por entregadores de aplicativos assaltarem três pedestres.

Na época, imagens de segurança exibiram o momento do crime e como os suspeitos utilizavam capacete e mochilas de entrega, normalmente utilizadas por trabalhadores, fugindo logo após o assalto.

Em um caso mais recente, registrado no dia 4 de outubro de 2025, uma operação da Polícia Militar recuperou aparelhos celulares roubados na Rua Ibiquara, no bairro da Lapa, zona oeste da capital, por uma organização de criminosos que usavam disfarces de entregadores de aplicativo para realizar os furtos.

No mesmo mês em 2025, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra criminosos que se disfarçavam de entregadores para roubar relógios e alianças na capital.

Ainda em 2025, um homem de 68 anos foi baleado no rosto enquanto caminhava com o cachorro em Osasco, após ser abordado por um falso entregador que usava uma moto com placa clonada e uma mochila de entregador.

Em abril de 2026, um dos falsos entregadores realizou um assalto dentro de uma loja de motos no bairro Jardim Mitsutani, na zona sul de São Paulo, sendo flagrado por câmeras de segurança.

Um caso semelhante foi registrado nesta quarta-feira (23/09) na Rua Benedito Alves Turíbio, em Osasco, na Grande São Paulo.Um proprietário de uma loja de assistência técnica foi surpreendido com o suspeito vestido como entregador do iFood, que disparou contra a vítima que morreu no local.

Com a recorrência dos casos, a ameaça de possíveis assaltos preocupa a população, e acende um alerta de perigo para os verdadeiros entregadores, que já são atingidos pela violência.

Mochilas do iFood são facilmente encontradas à venda na internet

A facilidade na aquisição das mochilas, que muitas vezes são falsificadas, auxilia na realização do crime. De acordo com uma busca realizada pela redação do BNews SP, anúncios ofertam as bags com referência ao iFood em marketplaces como Mercado Livre, com modelos anunciados por valores que vão de cerca de R$ 70 a quase R$ 300. A acessibilidade a esses materiais permite que os criminosos utilizem essa estratégia de disfarce para fazer novas vítimas.

Foto: Reprodução / redes sociais
Foto: Reprodução / redes sociais
Foto: Reprodução / redes sociais

Com os casos, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sancionou a Lei nº 18.105, em março de 2025, para combater crimes cometidos por falsos entregadores que utilizam das mochilas para praticar os assaltos.

A Lei estabelece novas diretrizes para o setor de entregas de aplicativo, exigindo etiquetas visíveis um QR Code e um chip de validação nos baús ou mochilas, para que as plataformas mantenham um cadastro dos prestadores. 

Perigo pode atingir verdadeiros entregadores 

Esse esquema atinge não somente os clientes que acabam sendo vítimas, mas os verdadeiros trabalhadores, que já sofrem com violência. De acordo com um levantamento do aplicativo do iFood, existem 1.188 relatos de violência contra entregadores no país, uma média de 5,6 registros diários. 

Com a desconfiança da população voltada a imagem dos entregadores, esses trabalhadores ficam suscetíveis a abordagens mais severas de clientes querendo se prevenir de possíveis assaltos.

O BNews SP entrou em contato com a iFood para mais informações sobre os casos e um pronunciamento sobre medidas tomadas para a proteção dos funcionários e clientes, mas ainda não obteve resposta. Assim que o contato for estabelecido, a matéria será atualizada.

Classificação Indicativa: Livre


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