Polícia
Publicado em 25/09/2026, às 07h30 Foto: Reprodução / Arquivo pessoal Natane Ramos
O ginecologista Osmar Trojan, de 82 anos, por estupro de uma paciente de 27 anos que o acusou de ter cometido abusos durante consultas em um consultório particular no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo.
De acordo com informações confirmadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), o inquérito foi instaurado no 1° Distrito Policial de Itapecerica da Serra, reforçando que "as investigações prosseguem visando o devido esclarecimento dos fatos".
A vítima, identificada como Esther Neves, relatou que foi atendida pelo médico entre 2014 e 2022 no consultório. Segundo o relato da jovem, o ginecologista realizou exames sem luvas, tirou fotos íntimas dela e exibiu vídeos pornográficos.
"Ele não cobrava as consultas. Eu e a minha mãe sentíamos que a gente estava devendo algo para ele. Então quando ele falava que queria me fotografar, eu me sentia na obrigação de ir, porque ele falava que era uma coisa boa", revelou Esther em entrevista ao g1.
A jovem relata que em um dos episódios o médico chegou a sugar os seios dela, usando a justificativa de que queria avaliar o que saia deles.
O advogado Alessandro Fischer Martins Silveira, que representa Osmar, negou as acusações envolvendo o cliente, afirmando que "confia que, no curso da instrução processual, mediante o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa e a produção das provas pertinentes, demonstrará sua inocência".
A defesa de Osmar Trojan alega que o inquérito tramita sob sigilo e que, até o momento, não houve recebimento de denúncia pela Justiça. O advogado reforçou que o procedimento está em fase de investigação.
Ainda segundo o relato de Esther, ela tinha uma relação de confiança com Osmar, que foi seu médico há anos e não cobrava pelas consultas.
A vítima relatou que convivia com a infância desde a infância e que frequentava a mesma igreja que a família. "E eu acabei vendo ele também dessa forma, porque o meu avô morava em Tocantins. Então eu não tinha proximidade com pessoas no meu convívio. Aqui, em São Paulo, são só eu, minha mãe, meu pai e meu irmão", comentou.
No entanto, aos 16 anos, em 2014, Esther passou pela primeira consulta com o ginecologista que pediu para que ela entrasse sozinha na sala, alegando que assim ela se sentiria mais à vontade.
"Era muito próxima, ele mandava muitas mensagens. Era como se fosse meu pai. O contato que eu não tinha com meu pai, eu tinha com ele. Então, tudo que ele fazia, ele mandava mensagem. Ele mandava fotos minhas. Ele mandava fotos dele nas viagens. Tudo que ele fazia, ele mandava", contou.
A jovem relata que o ginecologista a submetia a momentos constrangedors, chefanso a exibir vídeos de site pornográfico, quando ela ainda era adolescente, e falando sobre o uso de plugue anal.
"Ele assistia esse site e colocava uma pessoa com um tipo físico muito parecido com o meu, pesava mais ou menos uns 45 kg. E aí ele falava: ‘olha, essa menina é novinha igual a você. Você é linda, você é perfeita. Ela tem aqui um plugue anal. Se você quiser, eu posso comprar para você e eu te ensino a usar", declarou.
Em outro momento, Esther revelou que ele tirou fotos dos seus seios, declarando que estava escrevendo um artigo sobre prevenção de câncer de mama. "Ele me mostrou uma relação de fotos de várias pacientes dele e falou: 'olha, você precisa fazer isso também, porque fazer um ensaio fotográfico é uma coisa muito cara. E eu sei que você não tem condição de pagar, então eu vou te fazer de graça [...] Eu fico com essas fotos e te dou em um pendrive. Eu não lembro se eu era menor de idade, mas a minha mãe autorizou. E eu acabei autorizando também", relembrou.
Após o episódio, Esther revelou que o médico começou a fotografar outras partes do corpo. "Ele fotografou minhas mamas por causa do câncer de mama. Até aí, tudo bem. Só que aí, ele começou com uma história de que ele tinha pacientes muito complexadas com o tamanho dos grandes lábios da vagina delas [...] ele tirou muitas fotos da minha vagina também, do meu ânus", comentou.
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