Polícia
Publicado em 07/10/2026, às 08h38 Foto: Divulgação Tatiana Ribeiro
Uma mulher de 31 anos, grávida de oito meses, morreu após passar mal durante uma visita ao Centro de Detenção Provisória (CDP) I de Osasco, na Grande São Paulo, no domingo (4). Kaini Dantas de Mesquita Rodrigues chegou a ser socorrida e levada a um pronto-socorro, mas não resistiu. O bebê também morreu. Mãe e filho foram sepultados nesta terça-feira (6), em Guarulhos.
Segundo relatos de familiares, Kaini teria sofrido um mal súbito durante a visita e caído em uma área próxima à unidade prisional. Pessoas que estavam no local relataram à família que ela teria sido encontrada já sem pulso.
A família recebeu apoio da Associação de Familiares e Amigos de Presos e Egressos (Afape). Segundo a advogada Bruna Almeida, representante da entidade, visitantes que presenciaram a ocorrência afirmaram que funcionários do presídio não teriam prestado auxílio imediato à mulher. Conforme os relatos, servidores teriam dito que não tinham responsabilidade pelo atendimento e orientado os presentes a chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O caso, porém, apresenta versões diferentes sobre o atendimento prestado. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) afirma que o mal súbito ocorreu do lado externodo CDP, fora do prédio da unidade, e que a Polícia Penal acionou o Samu assim que percebeu a movimentação.
De acordo com a Polícia Penal, um servidor da subportaria do CDP I de Osasco percebeu uma movimentação considerada anormal do lado de fora da unidade no momento da saída dos familiares. Ao verificar a situação, encontrou Kaini caída após sofrer uma queda e acionou imediatamente o Samu.
Ainda segundo a corporação, antes da chegada da ambulância, o servidor foi informado de que a mulher havia sido colocada em um veículo particular e levada a um pronto-socorro.
A área onde ocorreu o episódio não permite o uso de celulares pelos visitantes. Por isso, não foram produzidas imagens que possam registrar o momento em que Kaini passou mal ou o atendimento recebido.
A Polícia Penal informou que abriu uma apuração interna para esclarecer as circunstâncias da ocorrência. Um boletim de ocorrência também foi registrado.
A SAP afirmou que o caso está sendo investigado para esclarecer a dinâmica do episódio e as providências adotadas desde o momento em que a gestante passou mal até o encaminhamento ao hospital.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que Kaini morreu em um hospital localizado no bairro Jardim Record, em Taboão da Serra. Segundo o boletim de ocorrência, ela passou mal durante a visita ao marido, que está preso em uma unidade prisional.
A gestante foi levada ao pronto-socorro, mas morreu junto com o bebê. A ocorrência foi registrada como morte suspeita no 1º Distrito Policial de Taboão da Serra.
A Polícia Civil solicitou exames periciais ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar na identificação das causas das mortes. A investigação deverá apurar também as circunstâncias do atendimento prestado à mulher e a sequência de acontecimentos entre o momento em que ela passou mal e sua chegada ao hospital.
Enquanto a investigação segue, familiares questionam se houve demora ou falha no atendimento à gestante. A SAP e a Polícia Penal sustentam que o socorro foi acionado e que o caso está sendo apurado pelas autoridades competentes.
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