Polícia
Publicado em 10/04/2026, às 08h20 Foto: Reprodução/INSS Fernanda Montanha
O empresário Maurício Camisotti, investigado por participação em um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS, firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Ele confessou a existência de fraudes e já prestou depoimentos no âmbito da investigação, segundo informações confirmadas nesta semana.
O acordo foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que será responsável por validar juridicamente os termos da colaboração, segundo o Metrópoles.
As apurações indicam que Camisotti atuava por meio de entidades ligadas a aposentados e pensionistas. As organizações são suspeitas de realizar descontos irregulares diretamente nos benefícios, gerando receitas milionárias.
Entre as entidades citadas estão Ambec, Unsbras e Cebap, que, segundo a investigação, tinham vínculos com funcionários e familiares de executivos do grupo. Juntas, elas movimentaram cerca de R$ 580 milhões apenas no último ano.
Considerando o período desde 2021, o valor chega a aproximadamente R$ 1 bilhão. Os números reforçam a dimensão do esquema, apontado como um dos maiores já investigados no setor.
A delação de Camisotti é a primeira firmada no contexto da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em aposentadorias. A expectativa da defesa é que o acordo possa resultar na conversão da prisão preventiva em domiciliar.
O empresário está preso desde setembro, tendo sido inicialmente encaminhado a uma unidade em Guarulhos. Posteriormente, foi transferido para a sede da Polícia Federal em São Paulo.
Outros investigados também negociam acordos de colaboração, incluindo o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes e ex-integrantes do próprio INSS. As delações podem ampliar o alcance das investigações e detalhar a atuação de diferentes envolvidos no esquema.
O caso veio à tona após uma série de reportagens que apontaram crescimento expressivo na arrecadação dessas entidades. As revelações levaram à abertura de inquérito e contribuíram para ações da Controladoria-Geral da União.
As investigações seguem em andamento, com foco na identificação de responsabilidades e no ressarcimento de prejuízos causados aos beneficiários.