Polícia
Publicado em 08/11/2026, às 08h40 Foto: Reprodução Tatiana Ribeiro
Um golpista denunciado ao Ministério Público de São Paulo por aplicar golpes amorosos contra várias mulheres foi condenado a seis anos de prisão, em regime fechado, após dar um prejuízo de mais de R$ 1,5 milhão a uma executiva de relacionamento comercial da Zona Oeste da capital paulista.
Renato Sérgio Leandro, de 57 anos, está preso desde maio em um Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mauá, na Grande SP, após ter tido a prisão decretada pela Justiça, no âmbito do processo em que foi condenado no último dia 19 de outubro.
No julgamento, ele admitiu o crime e pediu desculpas à vítima. Renato Leandro foi denunciado pela hoje advogada R.L, de 59 anos, uma de suas várias vítimas na cidade. Ela pediu para não ser identificada, em razão da vergonha e da situação psicológica que viveu nos últimos cinco anos, na busca pela condenação do falsário.
Na época em que conheceu Renato, a executiva comercial tinha acabado de iniciar o curso de Direito.
Segundo o processo, Renato Sérgio e a vítima se conheceram pelo Tinder em junho de 2021. Na época, R.L estava divorciada e sem companheiro havia cinco anos e disse que foi seduzida e envolvida emocionalmente pelo acusado.
“Logo que a gente se conheceu, ele se mostrou um homem raro e cavalheiro, que parecia ter caído do céu. Abria a porta para eu entrar e sair do carro, me levava em casa, pagava os jantares... Logo no primeiro encontro, começou a fazer juras de amor, trocar elogios e dispensar muita atenção”, contou ao g1.
“Era tempo de pandemia e as coisas tinha acabado de reabrir. Todo mundo passava por aqueles dias de incerteza e solidão. Encontrar um cara que parecia um príncipe parecia um sonho, que depois virou o pior pesadelo da minha vida”, contou a mulher.
No processo, a advogada que até então estava apenas no 3° semestre de Direito, contou que Renato Sérgio começou a contar histórias de seus problemas familiares.
“Ele se apresentou como um professor universitário de psicologia e psicólogo comportamental, pai de três filhos morando fora do Brasil. E que também cuidava da mãe, que enfrentava uma luta contra um câncer. Poucas semanas depois que a gente se conheceu, ele afirmou que o convênio dele não queria pagar por uma parte do tratamento e ele estava desesperado”, lembra a vítima em entrevista ao g1.
O primeiro empréstimo pedido foi no valor de R$ 10 mil , que ele pagou quase que integralmente, poucos dias depois. Mas essa mãe foi piorando e ele toda semana vinha com uma novidade a respeito da queda de braço com o convênio médico da idosa.
“Em algum momento, ele afirmou que ganhou uma indenização de R$ 1,3 milhão da operadora da mãe e que só estava esperando a liberação da Justiça para receber. Pediu então um empréstimo de R$ 12 mil para dar de calção no hospital que ele ia deixar a mãe, até que o convênio depositasse a grana. Ele sofria, mandava mensagens choroso, ao mesmo tempo que fazia juras de amor e afirmava que ele tinha finalmente encontrado sua alma gêmea”, disse a mulher.
As justificativas para conseguir dinheiro continuaram. Dias depois, Renato contou que viajaria ao Canadá para participar do casamento de um dos filhos. Durante a viagem, passou alguns dias sem manter contato frequente com a namorada, enviando apenas mensagens esporádicas.
Em seguida, afirmou que havia feito uma escala nos Estados Unidos para visitar um amigo, quando sofreu um infarto. Segundo a história contada por ele, foi levado a um hospital particular, onde as despesas médicas já ultrapassavam R$ 200 mil.
Sem ter recursos para arcar com os custos, o homem teria demonstrado desespero e dito que queria voltar ao Brasil para encontrar a companheira. Foi então que sugeriu que ela recorresse a um empréstimo bancário para ajudá-lo.
A vítima contou que passou vários dias dividida entre a preocupação com o suposto namorado e o receio de assumir uma dívida tão alta. No entanto, acabou convencida pelas declarações de carinho e pelas demonstrações de afeto. R.L. contratou um empréstimo de R$ 322 mil para socorrê-lo.
Dívida milionária e consequências psicológicas
O empréstimo teve consequências financeiras graves para a mulher. Para conseguir pagar parte dos juros da dívida no cheque especial, ela precisou vender o próprio carro.
Apesar disso, não conseguiu quitar o financiamento. Com a incidência de juros bancários, o débito acumulado ultrapassou R$ 1,5 milhão.
Além do prejuízo financeiro, a advogada enfrentou problemas psicológicos, desenvolveu depressão e chegou a pensar em tirar a própria vida.
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