Polícia
Publicado em 16/10/2026, às 06h33 Foto: Divulgação Tatiana Ribeiro
Uma sequência de ligações telefônicas registradas entre 10h19 e 11h01 chamou a atenção dos investigadores que apuram o atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, integrante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Os registros indicam que um celular associado a Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias e apontado como autor do disparo que atingiu a nuca do oficial, utilizou antenas próximas ao local do crime, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
As informações foram reveladas ao Metrópoles, que teve acesso a um relatório inédito de inteligência da Polícia Civil. O documento, elaborado pela Unidade de Inteligência Policial do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), reconstrói parte dos deslocamentos do aparelho antes e depois do atentado, ocorrido em 27 de junho, por volta das 11h30.
De acordo com o levantamento, o celular associado a Golias registrou chamadas às 10h19, 10h43 e 11h01, em áreas próximas à região central de São Caetano do Sul. O tenente foi atacado na Avenida Goiás, após sair de uma academia de CrossFit.
As informações foram obtidas a partir de registros fornecidos por uma operadora de telefonia. Embora permitam estimar a área em que o aparelho estava conectado, as antenas não determinam a localização exata do celular nem comprovam quem o utilizava no momento das chamadas.
Golias era apontado como responsável pelo disparo e permanecia foragido até a publicação da reportagem. Ele e outros cinco homens foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por envolvimento no caso.
Após o atentado, o telefone voltou a aparecer nos registros de conexão. Às 11h51, o aparelho utilizou uma antena localizada em Mauá, no ABC paulista. Mais tarde, às 15h11, houve uma nova conexão em Artur Alvim, na zona leste da capital.
A sequência indica que o celular deixou a região de São Caetano do Sul nas horas seguintes ao crime. No entanto, os dados telefônicos, isoladamente, não permitem confirmar quem estava com o aparelho durante esse deslocamento.
O relatório também identificou uma ligação realizada às 2h50 do dia seguinte ao atentado entre números associados a Golias e Carlos Roberto Ferreira, acusado de participar da logística da ação criminosa. Em setembro, a Justiça manteve a prisão preventiva de Carlos.
A análise de outro aparelho, pertencente a Marcos Vinicius Dias Machado, também investigado no caso, revelou indícios de conversas apagadas no WhatsApp e registros de utilização do Telegram, mas sem mensagens disponíveis para consulta.
Os investigadores identificaram contatos realizados na madrugada seguinte ao crime, entre eles uma ligação com duração aproximada de sete minutos para um interlocutor identificado como Kleber.
O conteúdo das conversas não foi recuperado. Além disso, a polícia não conseguiu estabelecer uma ligação entre esses contatos e o atentado contra o tenente. Também não foi possível relacionar os números utilizados nas chamadas recebidas pelo aparelho associado a Golias diretamente à execução do crime.
Além de Carlos Roberto Ferreira e Marcos Vinicius Dias Machado, Luis Altino da Silva e Luiz Henrique de Oliveira Nascimento tiveram as prisões preventivas mantidas pela Justiça em setembro.
Jeovane Junior da Silva, conhecido como Juninho, é apontado como responsável por auxiliar a fuga de Golias após o atentado. Ele também permanecia foragido até a publicação da reportagem.
Os registros telefônicos integram o conjunto de informações reunidas pela investigação para reconstruir os deslocamentos e os contatos realizados no período próximo ao ataque contra o oficial da Rota.
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