Polícia
Publicado em 26/08/2026, às 10h49 Foto: Divulgação Tatiana Ribeiro
Uma mãe decidiu colocar um gravador na mochila do filho, de 1 ano e 4 meses, depois de perceber mudanças no comportamento da criança, que frequentava uma creche municipal em Guaratinguetá, no interior de São Paulo.
O menino, identificado como Arthur, passou a chorar com frequência, aparentemente sem motivo, e demonstrava resistência para ir à escola.
Diante das mudanças, Maria Eduarda começou a desconfiar que algo poderia estar acontecendo durante o período em que o filho permanecia na instituição. O menino estava matriculado na creche desde os dez meses de idade.
Na tentativa de entender o que ocorria durante a permanência da criança no local, a mãe colocou um dispositivo de gravação dentro da mochila do filho. O conteúdo registrado aumentou as suspeitas da família e foi encaminhado à Polícia Civil para investigação.
Nos áudios, duas profissionais aparecem conversando sobre o comportamento do menino de maneira considerada desrespeitosa. Ao fundo, também são ouvidos sons que seriam semelhantes a tapas, além de choros intensos da criança.
Em determinado momento da gravação, uma das mulheres chega a se referir ao menino como “chata”. O conteúdo levantou a suspeita de que a criança poderia estar sendo submetida a situações de maus-tratos enquanto permanecia sob os cuidados das profissionais.
Após ouvir as gravações, Maria Eduarda retirou imediatamente o filho da creche. A família agora busca esclarecer as circunstâncias dos episódios registrados e descobrir se os possíveis maus-tratos ocorreram em outras ocasiões.
Além disso, os familiares querem saber se o menino teria sido vítima de agressões físicas em outros momentos e há quanto tempo possíveis situações de violência estariam acontecendo.
O caso foi registrado pela polícia como suspeita de submeter criança ou adolescente a vexame ou constrangimento, conduta prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As gravações entregues pela família deverão ser analisadas pelos investigadores para auxiliar na apuração dos fatos.
Após a denúncia, a Secretaria Municipal de Educação de Guaratinguetá determinou o afastamento preventivo de uma professora e de uma monitora que aparecem relacionadas ao caso. Uma profissional terceirizada também foi afastada.
A Prefeitura informou que abriu uma investigação administrativa para apurar a conduta das profissionais e as circunstâncias dos episódios registrados dentro da unidade de ensino.
A equipe da creche deverá passar por um processo administrativo disciplinar, que poderá apontar eventuais responsabilidades e definir as medidas cabíveis.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Civil continua investigando o caso. As autoridades deverão analisar as gravações, ouvir os envolvidos e buscar outras informações que possam esclarecer se houve agressões contra a criança e se outros alunos também podem ter sido vítimas de situações semelhantes.
Até o momento, as suspeitas apresentadas pela família ainda são objeto de investigação, e caberá às autoridades confirmar o que ocorreu na creche.
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