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Polícia

Mortes por intervenção policial crescem na gestão Tarcísio e atingem maior nível desde 2020 em SP

Número de mortes em ocorrências policiais voltou a crescer na gestão de Tarcísio; SSP cita revisão de protocolos e combate a irregularidades  |  Foto: Reprodução/Governo de SP

Publicado em 14/10/2026, às 12h30   Foto: Reprodução/Governo de SP   Amanda Ambrozio

O número de mortes decorrentes de intervenção policial na cidade de São Paulo voltou a crescer durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e atingiu, em 2026, o maior patamar desde 2020.

Entre janeiro e setembro deste ano, foram registradas 191 mortes, segundo dados do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

O total representa uma média de uma morte a cada 34 horas. Os dados incluem ocorrências envolvendo policiais em serviço e de folga e consideram os nove primeiros meses de cada ano, de acordo com o g1.

A série histórica mostra uma queda nos registros entre 2020 e 2022, seguida por uma retomada do crescimento a partir de 2023, primeiro ano do governo Tarcísio.

Mortes por intervenção policial voltaram a crescer em 2023

Entre janeiro e setembro de 2020, a capital paulista contabilizou 264 mortes decorrentes de intervenção policial. O número caiu para 178 em 2021 e chegou a 124 em 2022, último ano do governo Rodrigo Garcia (PSDB).

A partir de 2023, porém, os registros voltaram a subir. Naquele ano, foram contabilizadas 141 mortes. Em 2024, o número passou para 176 e, em 2025, chegou a 188.

Nos nove primeiros meses de 2026, foram registradas 191 mortes, superando os totais dos anos anteriores desde 2020.

Na comparação entre 2022 e 2026, o aumento foi de 54%, passando de 124 para 191 casos. A sequência indica uma mudança na trajetória dos registros após o período de queda observado entre 2020 e 2022.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/ Vídeo

Casos recentes incluem mortes durante abordagens policiais

Duas ocorrências recentes na capital ganharam repercussão após abordagens policiais terminarem com mortes e dezenas de disparos de arma de fogo.

No sábado (10), Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu após ser atingido por 27 tiros disparados por policiais militares durante uma abordagem em Moema, na Zona Sul. Segundo a polícia, o celular que o jovem segurava teria sido confundido com uma arma. Gustavo não tinha antecedentes criminais.

De acordo com o boletim de ocorrência, quatro policiais militares dispararam 45 vezes durante a abordagem. Familiares relataram que o jovem morava com a mãe e as irmãs e fazia tratamento com antidepressivos.

Outro caso ocorreu na madrugada de 3 de outubro, na Vila Dionísia, Zona Norte. Imagens gravadas por testemunhas mostram policiais militares disparando ao menos 24 vezes contra Antonio Nunes Batista, de 40 anos, depois de ele cair no chão durante uma abordagem.

Segundo a versão dos policiais registrada no boletim de ocorrência, Antonio estava armado com uma faca e uma barra de ferro e ameaçava pedestres.

Os agentes afirmaram que tentaram contê-lo com uma arma de eletrochoque, mas que a medida não foi suficiente. Ainda conforme o relato, ele teria continuado a avançar, levando três policiais a disparar.

As imagens, porém, mostram Antonio já caído quando os tiros começam. O boletim de ocorrência informa que nenhum dos policiais envolvidos utilizava câmera corporal.

SSP afirma que mortes são investigadas

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que atua com foco na preservação da vida, na revisão de protocolos, no uso de tecnologias e no combate a desvios de conduta.

A pasta declarou que a análise da letalidade policial considera o contexto de cada ocorrência, o volume de operações, o uso correto das armas e o cumprimento das regras para utilização de câmeras corporais.

Segundo a secretaria, todas as mortes decorrentes de intervenção policial são investigadas, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público, do Poder Judiciário e de órgãos de controle externo.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSSPSegurançaLetalidadeMortes por intervenção policialPM-SP

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