Polícia
Publicado em 12/04/2026, às 14h03 Foto: Reprodução/Redes Sociais. Bianca Novais
Uma noite que deveria ser comum terminou em violência, medo e incerteza para a jovem Eduarda Brandão, de 25 anos, agredida com uma garrafa de vidro por um vereador no município de Leandro Ferreira, no Centro-Oeste de Minas Gerais.
Em entrevista ao g1, ela afirmou que vive sob constante temor desde o episódio e acredita que o agressor demonstrava confiança de que não seria punido.
O caso aconteceu no dia 6 de abril, dentro de um restaurante da cidade. Segundo relato da vítima, o vereador Eduardo Cézar Lobato Fonseca (PL) passou a importuná-la ainda enquanto ela estava com amigos, fazendo gestos obscenos e insistindo para que ela se sentasse à mesa dele. A situação escalou rapidamente.
De acordo com Eduarda, o parlamentar sentou-se sem ser convidado, passou a ofender o grupo e chegou a tocar uma das amigas dela de forma inapropriada. Diante do constrangimento, todos decidiram deixar o local. Foi nesse momento que a agressão ocorreu.
“Quando fui pagar a conta, ele me deu a garrafada”, contou. Testemunhas confirmaram que, antes e depois do ataque, o vereador fez ameaças e manteve postura intimidatória.
Um dos pontos que mais marcaram a vítima foi o comportamento do agressor durante toda a ocorrência. Segundo ela, ele repetia que não sofreria consequências.
“Ele disse que não ia dar nada para ele”, afirmou. Eduarda também destacou que o vereador foi conduzido sem algemas, o que reforçou sua percepção de desigualdade e impunidade.
A versão apresentada pelo parlamentar à polícia, no entanto, é diferente. Ele negou perseguição e agressões, alegando ter agido em legítima defesa após ser atacado. Essa narrativa, segundo o boletim de ocorrência, não foi sustentada pelas provas reunidas.
Desde o episódio, a vida da jovem mudou drasticamente. Moradora da zona rural, onde vive com a avó e o filho, ela relata isolamento e medo constante.
“Tenho medo dele sair e me matar. A minha vida acabou”, desabafou.
O impacto emocional também atingiu a família. A avó enfrenta dificuldades para dormir, enquanto o filho apresenta crises de epilepsia, segundo a vítima. Eduarda afirma que considera deixar a cidade para preservar sua segurança.
Após a prisão do vereador, a Câmara Municipal decretou seu afastamento temporário, sem remuneração. A medida, prevista no regimento interno, é automática em casos de prisão e não tem caráter punitivo, garantindo o direito à defesa.
O caso segue sob investigação, com acompanhamento do Ministério Público. A possibilidade de convocação de um suplente para o cargo também está prevista.
Enquanto isso, a defesa de Eduarda afirma que trabalha para assegurar proteção à vítima e responsabilização do agressor, em um processo que ainda deve ter novos desdobramentos.