Polícia
Publicado em 30/03/2026, às 15h15 Foto: Wilson Dias/Agência Brasil. Bianca Novais
O estado de São Paulo começou 2026 com um dado preocupante: a cada 25 horas, uma mulher é vítima de feminicídio. Apenas nos dois primeiros meses do ano, foram registrados 55 casos, número que representa um aumento de 31% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pelo g1 com base em estatísticas da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Esse crescimento reforça um cenário já crítico e evidencia falhas persistentes na prevenção e proteção de vítimas de violência doméstica.
Um dos casos mais recentes ocorreu no domingo (29), em Carapicuíba, na Região Metropolitana de São Paulo. A vítima, de 38 anos, foi assassinada dentro da própria casa. O principal suspeito é o ex-companheiro, de 51 anos, que foi preso no mesmo dia após tentar fugir.
De acordo com a polícia, o crime aconteceu após um histórico de relacionamento conturbado, marcado por idas e vindas ao longo de cerca de 20 anos. A vítima e o suspeito tinham dois filhos, sendo que um deles acionou a Polícia Militar ao perceber a situação.
No local, os agentes encontraram a mulher já sem vida, com sinais de violência extrema. O suspeito foi localizado horas depois e detido ainda na mesma cidade.
As investigações apontaram que o homem já possuía antecedentes por violência doméstica. Havia pelo menos três boletins de ocorrência registrados contra ele, além de uma prisão anterior por descumprimento de medidas protetivas.
O caso evidencia um padrão recorrente em crimes dessa natureza: a escalada da violência mesmo diante de registros prévios e intervenções legais.
Apesar do aumento na conscientização e no número de denúncias, autoridades ainda enfrentam dificuldades para garantir a efetividade das medidas protetivas. Segundo a delegada responsável pelo caso, muitas vítimas deixam de comunicar à polícia quando essas medidas são descumpridas, o que impede uma ação mais rápida.
Outro dado que chama atenção é que cerca de 80% das vítimas de feminicídio não haviam formalizado denúncias antes do crime. Isso revela uma combinação de fatores, como medo, dependência emocional ou financeira e falta de confiança no sistema de proteção.
Delegacias especializadas registram casos de violência doméstica praticamente todos os dias. Mesmo assim, a subnotificação ainda é considerada alta, o que dificulta o enfrentamento do problema em sua totalidade.
Mulher mata companheiro e envia vídeo do crime à família
Caso Gisele: áudio revela comportamento de coronel e levanta novas dúvidas no caso; entenda