Polícia
Publicado em 22/09/2026, às 12h45 Foto: Reprodução/Receita Federal, MPF e MP-MS Amanda Ambrozio
A Receita Federal e os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MP-MS) deflagraram, nesta terça-feira (22), a Operação Perfume de Mulher.
A ação investiga um esquema de contrabando e descaminho de perfumes que tinha São Paulo como um dos principais eixos de distribuição e movimentou mais de R$ 300 milhões.
Segundo as autoridades, a quadrilha é investigada por descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais. Os produtos, principalmente perfumes árabes, entravam clandestinamente no Brasil a partir do Paraguai e eram distribuídos para diferentes estados.
Segundo o portal Metrópoles, o grupo atuava principalmente em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. De acordo com a Receita, os investigados foram alvo de mais de 20 apreensões nos últimos dois anos.
Uma delas ocorreu em outubro de 2025 e resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.
A investigação aponta que os produtos entravam clandestinamente no Brasil pela fronteira com o Paraguai, na região de Ponta Porã (MS).
Inicialmente, os perfumes eram armazenados em depósitos clandestinos em Campo Grande. Com o crescimento do esquema, os membros da quadrilha passaram a utilizar centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco.
A partir desses locais, as mercadorias eram enviadas para diferentes estados. As vendas ocorriam principalmente por meio de redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico.
Segundo a Receita Federal, influenciadores também eram utilizados para divulgar os produtos nas redes sociais. Um dos sites investigados utilizava o slogan “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e realizava revendas para consumidores de diversas regiões do país.
Além do contrabando e do descaminho, as autoridades identificaram indícios de lavagem de dinheiro. Para ocultar o patrimônio e dificultar o rastreamento dos recursos, o grupo teria utilizado empresas de fachada e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas” ou “testas-de-ferro”.
As análises financeiras encontraram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados. Ao todo, as contas bancárias relacionadas ao grupo movimentaram mais de R$ 300 milhões.
A organização também teria utilizado notas fiscais falsas, declarações de conteúdo fraudulentas e diferentes pessoas jurídicas para dar aparência de legalidade às operações comerciais.
Nas transações realizadas no exterior, os investigadores identificaram ainda o uso de criptoativos.
Por determinação da 3ª Vara Federal de Campo Grande, cerca de 130 agentes participam da operação. São 50 auditores fiscais e analistas tributários da Receita Federal, 50 integrantes do MPF e 30 do MP-MS.
Ao todo, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco.
A Justiça também autorizou a apreensão de bens ligados aos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo criptoativos.
Além das buscas, foi determinada a prisão da pessoa apontada como responsável pela coordenação das atividades da organização criminosa.
A Receita Federal afirma que o comércio irregular de perfumes importados provoca prejuízos à arrecadação tributária, à livre concorrência e às empresas que atuam dentro da legalidade.
Segundo o órgão, perfumes estrangeiros estão entre os produtos de maior valor agregado e demanda que são comercializados irregularmente no país.
A Operação Perfume de Mulher busca reunir novas provas sobre a estrutura financeira e logística do grupo, além de identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
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