Polícia
Publicado em 08/11/2026, às 07h32 Foto: Divulgação Tatiana Ribeiro
Uma jovem de 18 anos acusa o pastor Fernando Peres de Sousa, de 43, de abusos sexuais que teriam começado quando ela tinha 15 anos e durado cerca de três anos. Segundo a denúncia, os crimes ocorreram dentro de uma igreja em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do município investiga o caso e ouve aproximadamente 20 testemunhas para esclarecer as circunstâncias e verificar a existência de outras possíveis vítimas.
A denúncia foi apresentada pela mãe da jovem, que também relata episódios de violência psicológica atribuídos ao religioso. Segundo ela, o pastor teria incentivado os fiéis a romper relações com familiares e amigos.
A família começou a frequentar a igreja evangélica onde Fernando pregava em 2011. Em 2018, quando ele fundou a própria instituição religiosa, os parentes continuaram acompanhando o líder. “Foi aí que começou o nosso pesadelo”, afirmou a mãe em entrevista ao portal Metrópoles.
Conforme o boletim de ocorrência, as primeiras investidas teriam acontecido em 2023. Na ocasião, a adolescente estava sentada no altar da igreja quando o pastor teria se aproximado e beijado a jovem na boca. Depois desse episódio, os assédios teriam se intensificado, inclusive por meio de mensagens com perguntas de cunho íntimo.
No ano seguinte, a estudante passou a faltar às aulas com frequência. À mãe, explicou que evitava ir à escola porque o pastor costumava buscá-la na saída. Segundo o relato, ela chegou a fingir que estava dormindo para não precisar sair de casa.
Os abusos teriam ocorrido durante cultos e atividades religiosas realizadas ao longo da semana. Em algumas ocasiões, ainda de acordo com a mãe, o pastor levava a adolescente para a residência dele.
Segundo o Metrópoles, em agosto, a jovem comunicou à família que não queria mais frequentar a igreja. A mãe disse que, naquele momento, não compreendeu o motivo da decisão. A estudante chegou a manifestar o desejo de não participar de nenhuma outra instituição religiosa. Posteriormente, a família passou a associar o comportamento às supostas ameaças feitas pelo pastor.
O caso veio à tona em setembro de 2026, durante uma conversa por videochamada entre mãe e filha sobre um documentário que abordava abusos cometidos por líderes religiosos. Na ocasião, a jovem pediu que os familiares se reunissem e revelou o que teria acontecido.
Em entrevista ao Metrópoles, a mãe relatou o impacto da violência sobre a filha e demonstrou preocupação com as consequências dos episódios. “Era uma menina cheia de planos que ele destruiu. Ele destruiu a integridade dela”, afirmou, emocionada.
A denúncia também chegou à primeira-dama de Itaquaquecetuba, Mila Boigues, que publicou um vídeo nas redes sociais em apoio à jovem. Após a repercussão do caso, Fernando Peres de Sousa apagou seu perfil no Instagram. A página da igreja também deixou de estar disponível na plataforma.
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