Polícia

Pesquisador da USP é condenado a mais de 10 anos de prisão por estupro e morte de estudante

Conjunto de provas demonstrou que o pesquisador da USP ofereceu bebida alcoólica 'batizada' à vítima  |  Marcos Santos/USP Imagens

Publicado em 31/07/2026, às 07h34   Marcos Santos/USP Imagens   Bernardo Rego

Um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável com resultado morte de uma estudante de graduação da instituição. O caso aconteceu em 2020.

A decisão da 14ª Câmara de Direito Criminal reformou a sentença de primeira instância que havia absolvido o réu por falta de provas. A desembargadora Fátima Gomes, relatora do caso, afirmou que os relatos feitos pela jovem antes de morrer foram consistentes e confirmados por testemunhas, documentos médicos e laudos periciais. As informações são do G1.

A estudante morreu dias depois após desenvolver uma grave infecção na região genital que evoluiu para septicemia. O conjunto de provas demonstrou que Felipe Ramos ofereceu à estudante um copo de bebida alcoólica "batizada" e aproveitou da incapacidade de resistência para ter relações sexuais.

"O fato de a vítima ter aceitado ir ao Crusp, ou mesmo de ter manifestado interesse inicial pelo acusado, não autoriza concluir que tenha consentido com a prática sexual posteriormente realizada, muito menos em contexto de inconsciência, amnésia ou incapacidade de resistência", disse a relatora no seu voto.

Em nota, a USP lamentou o ocorrido e disse que se solidariza "com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de violência". Em relação ao caso, a universidade informou que não encontrou registros ou denúncias em seus canais institucionais e que o criminoso não tem mais vínculo com a USP.

Relembre o crime

O autor do crime era aluno da pós-graduação em Geografia Humana, e a vítima era estudante de Biologia e colaboradora da área de informática da universidade quando se conheceram em fevereiro de 2020 no restaurante universitário. 

Após conversarem, o pesquisador convidou a estudante para ir até seu apartamento no Conjunto Residencial da USP (Crusp), onde morava. Lá chegando ele ofereceu um copo de cerveja contendo uma substância química. Após ingerir a bebida, ela sentiu um gosto estranho, perdeu a consciência e ficou temporariamente incapaz de reagir. O estupro teria acontecido nesse momento.

Para os desembargadores, os depoimentos ganharam mais força porque foram compatíveis com os relatos feitos pela estudante às médicas e à psicóloga que a atenderam no Hospital Pérola Byington.

A ginecologista que atendeu a vítima disse que a paciente chegou ao hospital com diversas lesões internas e externas na região genital e forte processo inflamatório, que impedia até mesmo um exame ginecológico completo. A médica também relatou que, desde o primeiro atendimento, a jovem afirmou ter sido vítima de violência sexual.

Confira o posicionamento da USP na íntegra:

"A USP lamenta profundamente os fatos relatados e se solidariza com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de violência, assédio ou qualquer forma de violação de direitos. A USP entende que episódios dessa natureza causam sofrimento às vítimas, impactam toda a comunidade universitária e reforçam a necessidade permanente de prevenção, acolhimento e combate a todas as formas de violência.


Nos últimos anos, a Universidade tem fortalecido de forma contínua suas políticas de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero e às demais violações de direitos. Em 2016, foi criado o Escritório USP Mulheres para desenvolver ações e projetos voltados para a igualdade de gênero e empoderamento feminino na Universidade. Além de realizar palestras, treinamentos, campanhas de conscientização e pesquisas, o escritório também fazia parte de uma rede de acolhimento a vítimas de agressão e assédio, formada por outros serviços da USP, coletivos e órgãos públicos.


Com a criação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), em 2022, essas ações ganharam ainda mais impulso. Por meio da Diretoria de Mulheres, Relações Étnico-Raciais e Diversidades, a USP desenvolve políticas voltadas à promoção da inclusão, do pertencimento e da proteção da comunidade universitária, buscando garantir um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todas as pessoas.


Além da Comissão de Direitos Humanos da USP, as unidades e os campi instituíram, nos últimos anos, cerca de 40 subcomissões de direitos humanos, organizadas de acordo com as características de cada local. Essas instâncias exercem papel essencial no acolhimento de pessoas que relatam situações de assédio ou outras violações de direitos, oferecendo escuta qualificada, orientação e mediação de conflitos. Em diversas unidades, esse trabalho também é realizado pelas Comissões de Inclusão e Pertencimento.


A Universidade também implantou o Sistema USP de Acolhimento (SUA), criado para prevenir violações de direitos humanos, oferecer orientação à comunidade universitária, receber relatos e encaminhar denúncias aos órgãos competentes, fortalecendo a rede institucional de proteção e acolhimento.


Em relação ao caso em questão, a Universidade informa que não foram encontrados registros ou denúncias em seus canais institucionais destinados a esse fim. Dessa forma, não houve nenhum tipo de averiguação ou investigação interna, já que o início desses processos se dá justamente a partir da denúncia ou registro realizado. O envolvido no caso não tem mais vínculo com a Universidade."

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