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Plano contra Moro e promotor surge em depoimento que expõe ligações do PCC com a Rota

Relato de promotor ao órgão disciplinar da PM conta como informante revelou plano de atentado e suspeitas de vazamento de dados por policiais da Rota  |  Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

Publicado em 21/04/2026, às 14h09   Foto: Lula Marques/Agência Brasil.   Bianca Novais

Um depoimento prestado pelo promotor de JustiçaLincoln Gakyia à Corregedoria da Polícia Militar trouxe novos elementos sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e revelou um plano da facção para assassinar autoridades em 2023.

Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, o relato indica que o próprio promotor e o senador Sergio Moro estavam entre os alvos.

De acordo com Gakyia, a informação partiu de um integrante da organização criminosa que, posteriormente, tornou-se testemunha protegida. O mesmo informante já havia denunciado um suposto esquema de vazamento de informações envolvendo policiais militares da Rota, unidade de elite da PM paulista.

Foto: Divulgação/Polícia Militar de São Paulo.

Informante e reuniões

O promotor afirmou que manteve encontros com o integrante do PCC para colher detalhes sobre a atuação da facção. Em uma dessas reuniões, realizada em fevereiro de 2023, o informante relatou a existência de um plano para executar Gakyia e Moro. O suposto responsável pelos atentados seria um integrante da chamada “sintonia restrita” da organização, identificado pela alcunha de Nefo.

As revelações levaram ao início de investigações que culminaram, no mês seguinte, na deflagração de uma operação da Polícia Federal. A ação resultou na prisão de suspeitos apontados como envolvidos na articulação do plano.

Suspeitas dentro da PM

Outro ponto central do depoimento envolve a suposta participação de policiais militares no vazamento de informações estratégicas. Segundo Gakyia, integrantes do setor de inteligência da Rota teriam repassado dados para proteger lideranças do PCC, o que teria permitido, por exemplo, a fuga de um dos principais nomes da facção durante uma operação anterior.

O promotor afirmou ainda que comunicou o caso ao então comandante-geral da PM, mas não encontrou registros de providências adotadas na época.

Investigações e desdobramentos

As declarações surgiram no contexto de um inquérito policial militar que investiga a atuação de agentes de segurança em esquemas ilegais. O caso inclui suspeitas de que policiais faziam segurança privada para empresários ligados a outra célula da facção, com atuação no setor de transporte público na zona sul de São Paulo.

Durante as apurações, três policiais foram presos e houve mandados de busca contra diversos alvos. Em uma das ações, foi apreendida grande quantia em dinheiro.

O cenário descrito no depoimento também dialoga com outras investigações recentes envolvendo o PCC e agentes públicos. Entre os episódios citados está o assassinato de um delator que havia denunciado ligações entre policiais e integrantes da facção.

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