Polícia
Publicado em 20/06/2026, às 14h37 Foto: Pablo Jacob/Governo de SP Fernanda Montanha
Entre janeiro de 2023 e abril deste ano, a atuação da Polícia Militar Ambiental de São Paulo resultou na apreensão de cerca de 43 mil animais silvestres no estado. Desse total, 90% eram aves, o que evidencia a predominância desse grupo no tráfico ilegal. Ao todo, foram registradas 488 espécies diferentes nas ocorrências.
Entre os cerca de 10% restantes estão répteis como jabutis, serpentes e jacarés, além de mamíferos como saguis e jaguatiricas. Também houve registros de espécies ameaçadas, como onça-pintada e tamanduá-bandeira, além de animais exóticos, sem origem na fauna brasileira, segundo a Agência SP.
Segundo a corporação, cerca de 80% das aves apreendidas são de canto, o que as torna mais valiosas no mercado ilegal e amplia sua exploração por redes criminosas.
De acordo com o 2º tenente PM Henri, o tráfico movimenta valores elevados, especialmente em espécies como o trinca-ferro. Em alguns casos, um único exemplar pode chegar a R$ 300 mil conforme o desempenho do canto.
O esquema envolve captura na natureza ou reprodução em cativeiro irregular, além de competições clandestinas que “classificam” as aves e aumentam seu preço. Depois disso, ocorre a venda e possível lavagem de dinheiro, enquanto muitos animais morrem no transporte ou sofrem maus-tratos.
Relatórios internacionais, como o estudo Wildlife Trafficking in Brazil, apontam que cerca de 80% das apreensões no país envolvem aves. O Brasil ainda representa aproximadamente 15% do tráfico global de fauna, segundo o UNODC.
Em uma ação recente na zona leste de São Paulo, equipes da PM Ambiental apreenderam 12 aves após denúncias via 190 e sistemas do Ibama. As operações combinam inteligência policial e chamadas da população.
Um dos principais indícios de ilegalidade é a adulteração de anilhas do IBAMA, que funcionam como identificação oficial das aves. Em casos ilegais, criminosos podem até mutilar o animal para simular origem legal.
Após a apreensão, os animais seguem para o CETRAS-SP, localizado no Parque Ecológico do Tietê. O espaço recebe milhares de animais por ano para triagem, tratamento e reabilitação.
Muitos são devolvidos à natureza, enquanto outros seguem para criadouros autorizados ou zoológicos quando não têm condições de sobrevivência livre. O processo busca recuperar funções naturais perdidas durante o cativeiro e reduzir os impactos do tráfico na fauna.
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