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Polícia apreende R$ 1,5 milhão em ouro e joias em operação contra receptação em SP

A Polícia Civil apreendeu ouro e joias em operação contra rede de receptação em São Paulo, com mandados cumpridos na capital e Guarulhos  |  Foto: Divulgação SSP

Publicado em 25/08/2026, às 09h41   Foto: Divulgação SSP   Tatiana Ribeiro

A Polícia Civil apreendeu mais de R$ 1,5 milhão em ouro e joias durante a segunda fase da Operação Ouro Reverso, deflagrada na segunda-feira (24) contra uma rede suspeita de receber, processar e revender alianças e outros objetos de ouro provenientes de roubos e furtos em São Paulo.

Segundo o balanço divulgado nesta terça-feira (25) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), também foram apreendidos R$ 6 mil em dinheiro e uma pistola Glock calibre .380.

A operação cumpriu 28 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão na capital paulista e em Guarulhos, na Grande São Paulo. Dos quatro alvos das prisões, dois já estavam no sistema penitenciário e foram indiciados também nesta investigação. Os outros dois não foram localizados e são considerados foragidos.

A ação é coordenada pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, da Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).


Ouro roubado era derretido


De acordo com a investigação, a organização atuava em diferentes etapas da cadeia de comercialização de ouro de origem criminosa.

As joias roubadas, principalmente alianças, eram repassadas a intermediários e posteriormente chegavam a comerciantes e empresas suspeitas de comprar as peças. O material era então derretido e transformado em novos produtos antes de voltar ao mercado, o que dificultava a identificação da origem ilícita.

Um dos pontos vistoriados fica em uma região do Centro de São Paulo chamada pelos investigadores de “círculo de fogo”, onde foram identificadas empresas suspeitas de adquirir joias roubadas e realizar a fundição do metal.

Documentos judiciais apontam que a investigação identificou uma estrutura formada por diferentes participantes. Intermediários seriam responsáveis por adquirir joias provenientes de crimes patrimoniais e distribuí-las aos comerciantes. Alguns estabelecimentos, segundo a acusação, ficariam encarregados de receber, transformar e recolocar o ouro no mercado.

Bloqueio de bens


Os autos citam peças que teriam sido obtidas em furtos, roubos e até latrocínios. Depois de derretido, o ouro poderia ser comercializado em outro formato, eliminando características que permitissem relacioná-lo à joia originalmente roubada.Nesta nova fase, a Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 34 milhões em bens relacionados aos investigados.


Primeira fase identificou Rony e "Mainha do Crime"


A Operação Ouro Reverso teve início em maio de 2025, quando a Polícia Civil realizou a primeira ação contra a suposta cadeia de receptação de joias.

Um dos principais alvos foi Rony Gonçalves, apontado pelos investigadores como intermediário entre pessoas que obtinham joias roubadas e comerciantes de ouro da região central de São Paulo.

Segundo os autos, Rony obtinha recursos com lojistas, comprava as peças e posteriormente as distribuía aos comerciantes. A polícia identificou comunicações frequentes e movimentações financeiras entre ele e proprietários de estabelecimentos da chamada “Rua do Ouro”.

Organização criminosa


Rony foi preso em 7 de maio de 2025 e posteriormente condenado a sete anos de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa e receptação qualificada.

Outra pessoa identificada durante a investigação foi Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como “Mainha do Crime”. A acusação sustenta que ela ocupava uma posição estratégica em uma organização envolvida na obtenção de joias e objetos de ouro roubados.

Conforme os documentos judiciais, Rony seria responsável por intermediar a relação entre esse grupo e os comerciantes.

No celular de Suedna, os investigadores encontraram um vídeo enviado por uma linha telefônica registrada em nome da mulher de Rony. Nas imagens, um homem aparece pesando alianças de ouro dentro de um copo plástico.

Em outra negociação mencionada no processo, Rony teria ido até Paraisópolis após ser chamado por Suedna para buscar joias e alianças. Posteriormente, segundo a investigação, ele teria entregado R$ 40 mil em dinheiro a ela.As defesas dos investigados negam as acusações.

Classificação Indicativa: Livre


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