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Polícia faz operação contra rede de receptadores de alianças roubadas

A Polícia Civil de São Paulo realiza a segunda fase da Operação Ouro Reverso, focando em uma organização criminosa de roubo de joias  |  Divulgação SSP

Publicado em 24/08/2026, às 08h16 - Atualizado às 08h16   Divulgação SSP   Tatiana Ribeiro

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (24) a segunda fase da Operação Ouro Reverso, que investiga uma organização suspeita de atuar em diferentes etapas de um esquema criminoso envolvendo o roubo de alianças e outras joias de ouro, o derretimento das peças e a posterior reinserção do metal no mercado.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 34,6 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados, além do sequestro de veículos e de um imóvel. A operação é coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e ocorre na capital paulista e em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Ao todo, os policiais cumprem quatro mandados de prisão e 28 de busca e apreensão. A ação é conduzida pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, vinculada à Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Deic.

Um dos principais alvos da operação é uma área do Centro de São Paulo identificada pelos investigadores como "círculo de fogo". Segundo a polícia, o local concentraria empresas e estabelecimentos suspeitos de comprar joias provenientes de crimes e realizar o derretimento do material.

Como funcionaria o esquema


De acordo com as investigações, a organização teria uma estrutura dividida em diferentes etapas. O esquema começaria com furtos e roubos de alianças, correntes e outras joias praticados nas ruas. Depois, as peças seriam repassadas a intermediários e comerciantes, que fariam a recepção e o processamento do material.

A Polícia Civil identificou três grupos que teriam funções distintas dentro da estrutura: executores, processadores e financiadores.

Os executores seriam responsáveis pelos furtos e roubos diretamente nas ruas. Segundo os investigadores, esses criminosos atuariam com o apoio de intermediários, responsáveis por encaminhar as joias para os demais integrantes da cadeia.

Na etapa seguinte estariam os processadores, entre eles lojistas e supostos receptadores. Eles receberiam as peças roubadas e fariam o processamento do ouro, incluindo o derretimento e a remanufatura do material.

Como agem os criminosos

O derretimento é considerado pelos investigadores um dos principais mecanismos utilizados pelo grupo. Ao transformar as joias em metal, os criminosos conseguiriam dificultar a identificação das peças e eliminar características que poderiam ajudar a rastrear a origem criminosa dos objetos.

Depois de processado, o ouro poderia voltar ao mercado por meio de empresas e operações comerciais, acompanhado de documentação fiscal destinada a conferir aparência de legalidade ao material.

A terceira etapa seria formada pelos financiadores, que, segundo a investigação, atuariam na lavagem do dinheiro obtido com a comercialização do ouro. Para ocultar a origem dos recursos, os investigados teriam utilizado empresas de fachada e depósitos fracionados em contas bancárias.

Dinheiro financia novos crimes

Segundo a polícia, o dinheiro movimentado pelo esquema também poderia ser utilizado para financiar novos crimes. Dessa forma, a organização teria criado um ciclo que começava com o roubo das joias, passava pela receptação e pelo derretimento do ouro, avançava para a lavagem dos recursos e terminava com o financiamento de novas ações criminosas.

Bloqueio milionário


Como parte das medidas judiciais, foram bloqueadas 13 contas bancárias vinculadas aos investigados. O valor total alcançado pela decisão chega a R$ 34.682.364,90.

A Justiça também autorizou o sequestro de sete veículos e de um imóvel. As medidas têm como objetivo impedir que os investigados movimentem ou ocultem patrimônio que possa estar relacionado aos crimes apurados.

A operação mobiliza cerca de 60 policiais civis do Deic, distribuídos em 30 viaturas. A força-tarefa conta ainda com 21 auditores da Receita Estadual e três avaliadores da Caixa Econômica Federal.

Os auditores participam das diligências para verificar a situação fiscal das empresas investigadas, analisar documentos e identificar possíveis inconsistências nas movimentações comerciais. Já os profissionais da Caixa atuam na avaliação e custódia de joias, objetos de valor e outros bens que eventualmente sejam apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

Primeira fase da Operação Ouro Reverso


A investigação teve início antes da segunda fase realizada nesta segunda-feira. A primeira etapa da Operação Ouro Reverso foi deflagrada em 7 de maio de 2025, quando a Polícia Civil cumpriu 21 mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária.

Na ocasião, os investigadores apreenderam aproximadamente R$ 2,7 milhões em ouro e joias, além de R$ 157 mil em dinheiro. Também foram cassados três CNPJs ligados a estabelecimentos clandestinos suspeitos de realizar o derretimento de ouro.

Onde ocorreram as diligências

As diligências da primeira fase ocorreram em São Paulo, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Mairiporã e Campinas.

Durante aquela operação, os policiais prenderam, em Ferraz de Vasconcelos, Rony Gonçalves, apontado pela investigação como um dos principais negociadores de objetos de ouro roubados. Segundo a Polícia Civil, ele estaria ligado ao esquema atribuído a Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como "Mainha do Ouro", apontada pelos investigadores como responsável por dar suporte a quadrilhas envolvidas em roubos e furtos de joias.

A análise de celulares, documentos e outros materiais apreendidos a partir da prisão de Gonçalves teria permitido aos investigadores ampliar o mapeamento da organização. Com isso, a polícia identificou conexões entre suspeitos de praticar os roubos, comerciantes envolvidos na receptação, responsáveis pelo processamento do ouro e operadores financeiros.

Nova etapa da investigação


A segunda fase da Operação Ouro Reverso busca avançar sobre os demais integrantes da suposta cadeia criminosa. O foco das diligências está nos comerciantes que teriam recebido as joias, nos estabelecimentos utilizados para derreter e processar o ouro e nas movimentações financeiras que podem indicar lavagem de dinheiro.

Além das prisões e buscas, o bloqueio de milhões de reais em contas e o sequestro de bens fazem parte da estratégia para atingir financeiramente a estrutura investigada.

As diligências continuam ao longo desta segunda-feira (24), e a Polícia Civil deverá analisar os materiais apreendidos para identificar novos envolvidos, esclarecer a extensão da organização e verificar a possível participação dos investigados em outros crimes relacionados ao roubo e à comercialização ilegal de joias.


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TagsSão PauloPolícia CivilrouboAliançasR$ 346 milhões

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