Polícia
Publicado em 04/04/2026, às 10h18 Foto: Reprodução/YouTube Marcela Guimarães
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) decidiu arquivar a ação civil pública que movia contra o influenciador Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark, por declarações envolvendo o nazismo.
O processo pedia indenização de R$ 4 milhões por dano social, após falas feitas pelo apresentador de podcast em 2022.
O caso teve origem em uma edição do Flow Podcast, exibida em fevereiro daquele ano, quando Monark defendeu a possibilidade de existência de um partido nazista no Brasil.
“A esquerda radical tem muito mais espaço que a direita radical, na minha opinião. Eu sou mais louco que todos vocês. Acho que o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido”, afirmou na ocasião.
As declarações geraram forte reação negativa. Na época, a Amazon rompeu parceria com o Flow, e Monark acabou desligado do programa. Após a repercussão, ele alegou ter “conhecimento superficial” sobre o tema.
Em outra entrevista, também em 2022, ao lado da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e do deputado Kim Kataguiri (União-SP), o influenciador voltou a defender a ideia.
“Eu acho que tinha que ter um partido nazista reconhecido pela lei. Se o cara quiser ser um antijudeu, eu acho que ele tinha direito de ser”, comentou o apresentador.
Dois anos após ingressar com a ação, o MPSP decidiu recuar. O órgão passou a entender que as falas de Monark se enquadram no campo da liberdade de expressão, por mais que sejam consideradas equivocadas.
Na declaração mais recente, o promotor Marcelo Otávio Camargo Ramos avaliou que o apresentador não fez uma defesa direta da ideologia nazista, mas discutiu, de forma inadequada, os limites da liberdade de expressão.
Segundo ele, as declarações ocorreram em um “debate oral espontâneo” e “de longa duração”, sem aprofundamento teórico sobre o tema.
O promotor também analisou trechos específicos das declarações, como quando Monark afirmou que “se o cara quiser ser um antijudeu, eu acho que ele tinha direito de ser”, classificando a fala como uma hipótese levantada durante a discussão.
“[Monark] não estava a aderir a uma específica ideologia odiosa e extremista, mas tão somente expondo sua (equivocada) compreensão sobre o alcance da liberdade de expressão”, escreveu.
Na conclusão, o Ministério Público considerou que o episódio foi marcado por “uma sequência de falas rasas e equivocadas” sobre um tema sensível, destacando que o influenciador não demonstrava domínio conceitual sobre o assunto.
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