Polícia

'Quebra-vidros': ação preocupa moradores no centro de São Paulo

Vereador Kenji Ito comenta sobre como polícia e monitoramento ajudam a inibir os criminosos. Em abril, a PM realizou operação contra 'quebra-vidros'.  |  

Publicado em 12/05/2026, às 10h00      Gabriela Pessanha

A ação dos 'quebra-vidros' e os furtos constantes, principalmente de celulares, têm preocupado moradores da região central e autoridades de segurança pública.

No final de abril, a Polícia Militar realizou uma operação com 900 policiais e 290 viaturas, com concentração no Vale do Anhangabaú para combater o tráfico e furtos

Entre os objetivos da ação da PM, estava o enfrentamento da subtração de celulares realizada com a abordagem dos 'quebra-vidros'.

Em entrevista ao BNews São Paulo, o vereador Kenji Ito (Podemos) comentou como a ação policial e monitoramento através de ferramentas como o SmartSampa ajudam a coibir essas abordagens.

Na ocasião, o local foi escolhido de forma tática com base em levantamento interno das áreas de mais risco. 

O que são os 'quebra-vidros'?

Os grupos que realizam a ação praticam o furto em veículos após quebrar os vidros para coagir as vítimas e levar celulares e outros itens pessoais.

Kenji comenta que a ação dos 'quebra-vidros' e de gangues de bicicleta que visam os furtos de celulares são mais comuns em grandes avenidas e pontos com grande circulação. 

Ele explica que o mesmo vale para abordagens realizadas a pé. 

O vereador comenta que na Câmara Municipal tramitam propostas que aumentam penalidades administrativas para comércios receptores de aparelhos celulares irregulares. Um exemplo é o aumento da multa para esses estabelecimentos. 

No cenário nacional, em maio foi sancionada uma lei que aumenta a pena geral de furto de um a quatro anos para de um a seis anos.

O texto publicado pela Agência Senado detalha que a variação de penas ocorre conforme a complexidade da ação dos infratores.

Impacto da polícia e monitoramento na segurança

Ao comentar sobre o aumento das ocorrências de furtos de celulares, Kenji explica a importância do policiamento na capital.

"Obviamente, precisaria ter mais policiais na cidade e no estado de São Paulo. Mas, o efetivo que trabalha na capital, posso dizer com toda clareza que é suficiente para coibir as atividades criminais que acontecem na cidade", comenta.

Ele também destaca o papel do sistema de monitoramento SmartSampa para auxiliar o combate do crime na cidade. 

Para Kenji, a ferramenta, assim como o programa Muralha Paulista, amplia a proteção devido ao tamanho e densidade populacional da capital paulista.

Não dá para colocar um policial em cada esquina da cidade.

O vereador Kenji atuou por 28 anos na segurança pública e integrou departamentos como GOE, DEIC e Garra até deixar a Polícia Civil para assumir o cargo de Chefe de Gabinete em 2020.

Com base em sua experiência, ele também reforça que a população pode se proteger evitando situações inseguras. 

Entre elas, ele menciona uso de celulares dentro do carro sem película escurecida adequada e em momentos que o trânsito fica congestionado, como os horários de pico. 

É preciso ter a consciência de que você pode estar sendo observado e se tornar a próxima vítima, se não tomar as devidas cautelas. 

Sensação de insegurança para moradores

Com 67 anos e morador da região central de São Paulo há 5 décadas, Ivo Teodoro comenta que o maior cuidado que tem é não utilizar o celular na rua e evitar o uso também dentro do carro, a depender da área em que está.

"Costumeiramente a gente deixa o celular guardado e não usa na rua com medo. Até meu neto, não tira o celular da bolsa", explica ao falar da rotina ao caminhar com o neto pelas ruas do centro.

O tatuador Felipe Dias frequenta o centro para comprar materiais de trabalho na Galeria do Rock há cinco anos. 

Visitante semanal do Centro de São Paulo, ele comenta que não usa o celular na rua, especialmente nesta região. 

Para ele, a sensação de insegurança cresceu nos últimos meses. 

Na opinião de Dias, mesmo com alertas, os infratores seguem com os furtos "sem dó". 

Ele também concorda que o policiamento é efetivo, mas o número de abordagens é um empecilho para atuação.

"Eles (policiais) são muito bem posicionados aqui, mas são muitos furtos. Nem eles conseguem segurar", diz. 

Apesar de nunca ter sido vítima, ele comenta que conhece diversas pessoas que passaram por furtos de celular. 

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