Polícia

Tirzepatida do Paraguai vira disputa judicial no Brasil; Anvisa contesta

Após proibição da Anvisa, pacientes buscam decisões judiciais para importar medicamentos paraguaios à base de tirzepatida.  |  Foto: Reprodução/Freepik

Publicado em 21/06/2026, às 11h51   Foto: Reprodução/Freepik   Fernanda Montanha

As versões paraguaias de medicamentos à base de tirzepatida passaram a ser alvo de uma disputa na Justiça Federal brasileira. Após a proibição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pacientes têm buscado decisões judiciais para conseguir importar os produtos.

Alguns pedidos foram aceitos em caráter liminar, autorizando a entrada do medicamento para uso pessoal, enquanto a Anvisa tenta derrubar essas decisões e reforça os riscos envolvendo produtos sem avaliação sanitária no país.

A tirzepatida é uma substância da classe dos GLPs e já possui aprovação no Brasil para tratamentos contra obesidade e diabetes. Porém, as versões vindas do Paraguai não receberam registro nacional, segundo o G1.

Levantamento identificou ao menos 14 ações na Justiça Federal relacionadas ao tema. Em 5 processos, magistrados autorizaram temporariamente a importação, principalmente em estados como Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul.

Preço e fiscalização aumentam pressão sobre o caso

Um dos principais argumentos apresentados pelos pacientes é o custo do tratamento. Enquanto uma caneta autorizada no Brasil pode chegar a R$ 1,4 mil por mês, versões paraguaias são encontradas por cerca de R$ 460.

A procura também aparece nos dados de fiscalização. Segundo a Receita Federal, entre janeiro e maio de 2026 foram apreendidas 414 mil unidades de medicamentos irregulares à base de GLP 1, número superior ao registrado em todo 2025.

A Anvisa afirma que os produtos não passaram por análises de segurança e eficácia exigidas para medicamentos comercializados no país. Além disso, a agência alerta para problemas no transporte, já que a tirzepatida precisa permanecer refrigerada entre 2°C e 8°C.

Decisões dividem opiniões no Judiciário

As ações apresentam argumentos semelhantes, mas têm recebido respostas diferentes dos juízes. Parte das decisões considera possível a importação para tratamento individual mediante receita médica.

Já outras decisões apontam que o Judiciário não deve substituir a avaliação técnica da Anvisa em questões relacionadas à saúde pública.

Especialistas afirmam que medicamentos sem registro podem representar riscos, já que não há comprovação sobre pureza, conservação e eficácia dos produtos.

O sistema de monitoramento da Anvisa registrou 545 notificações de reações adversas relacionadas à tirzepatida desde sua aprovação em 2023, incluindo 44 mortes ainda em investigação. A agência ressalta que não é possível identificar quantos casos envolvem produtos irregulares.

Entidades médicas também defendem o papel da Anvisa na regulamentação e destacam que existem opções de tratamento aprovadas e avaliadas no Brasil.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSaúdeMedicamento

Leia também


Caso rope jump: polícia prende mais três suspeitos pela morte de jovem em SP