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Polícia

Trabalho escravo: 22 trabalhadores são resgatados em lavoura de feijão em SP

Homens trabalhavam sem equipamentos de proteção e viviam em imóvel superlotado, com infiltrações e áreas alagadas, em Tejupá - SP  |  Foto: MPT/Reprodução

Publicado em 05/11/2026, às 19h20   Foto: MPT/Reprodução   Andrezza Souza

Vinte e dois trabalhadores rurais foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma lavoura de feijão em Tejupá, no interior de São Paulo. A operação foi realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), com apoio da Polícia Militar (PM).

Os homens foram contratados em Itobi, a cerca de 397 quilômetros do local de trabalho, e alojados em uma residência no distrito de Ribeirão Bonito. O imóvel apresentava infiltrações no telhado e estava alagado no momento da fiscalização.

Sem camas ou espaço suficiente nos quartos, parte dos trabalhadores dormia no chão, na garagem e no corredor. Os colchões haviam sido levados pelos próprios funcionários. Também não havia armários para guardar pertences nem mesa para as refeições.

Colheita era feita sem equipamentos de proteção

Nas lavouras, os trabalhadores não tinham acesso a água potável, banheiros ou locais adequados para alimentação. O intervalo para as refeições era de apenas 15 minutos.

A fiscalização também identificou a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs). Alguns homens relataram que colhiam feijão descalços e trabalhavam debaixo de chuva, sem capas impermeáveis.

As refeições fornecidas eram cobradas dos funcionários. Nos dias em que a chuva impedia a colheita, eles também ficavam sem receber.

Os 22 trabalhadores começaram a atuar na propriedade em 28 de outubro. A contratação era verbal, sem registro em carteira, e os pagamentos dependiam do volume colhido. O grupo ainda era deslocado entre diferentes lavouras.

Acordo prevê pagamento de R$ 108 mil

O intermediador responsável pela contratação assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o procurador do trabalho Gustavo Rizzo Ricardo.

O acordo determina a regularização dos alojamentos ou a transferência dos trabalhadores para locais adequados. Também exige o fornecimento gratuito de alimentação, água potável, sanitários e equipamentos de proteção.

O responsável deverá pagar R$ 88.585,14 em verbas rescisórias, depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e indenizações individuais. Cada trabalhador receberá R$ 1,6 mil por danos morais.

Do valor individual, 30% deverá ser pago imediatamente. O restante será dividido em quatro parcelas mensais.

O acordo também prevê o pagamento de R$ 20 mil por danos morais coletivos ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

As condições encontradas durante a fiscalização violavam regras de higiene, conforto e segurança previstas na Norma Regulamentadora nº 31, que estabelece exigências para o trabalho rural.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSão PauloPolícia MilitarMinistério PúblicoescravidãoTejupáRurais

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