Política

Anvisa autoriza produção nacional de vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Butantan

Vacina da chikungunya também foi aprovada no Canadá, Europa e Reino Unido  |  Divulgação/ Governo de São Paulo

Publicado em 05/05/2026, às 08h36   Divulgação/ Governo de São Paulo   Bernardo Rego

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a fabricação do imunizante IXCHIQ (vacina Chikungunya recombinante atenuada), desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (4) e foi assinada pelo gerente-geral substituto de produtos biológicos, radiofármacos, sangue, tecidos, células, órgãos e produtos de terapias avançadas, Anderson Vezali Montai.

Desta forma, a versão feita no Brasil – parceria do Butantan com a farmacêutica franco-austríaca Valneva – está liberada para uso no Brasil e poderá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante é indicado para a prevenção da doença em pessoas de 18 a 59 anos que estejam em risco aumentado de exposição ao vírus Chikungunya. 

A vacina foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025, tendo as fábricas da Valneva como locais registrados de produção. Com a decisão desta segunda-feira, o Instituto Butantan passa a ser oficializado como local de fabricação e pode desenvolver parte do processo produtivo em suas fábricas, mantendo os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia. 

Trata-se do mesmo imunizante, mas formulado e envasado no Brasil. A aprovação da produção local deve facilitar a incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS). A IXCHIQ foi a primeira vacina a ser registrada contra a doença no mundo e é contraindicada para mulheres grávidas, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.  

“Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, diz Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.

Além do Brasil, a vacina da chikungunya também foi aprovada no Canadá, Europa e Reino Unido.

Doença

A Chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. O vírus Chikungunya foi introduzido no continente americano em 2013 e ocasionou uma importante epidemia em diversos países da América Central e ilhas do Caribe. No segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou, por métodos laboratoriais, a presença da doença nos estados do Amapá e Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão desse arbovírus. 

Apenas em 2025, a Chikungunya acometeu cerca de 620 mil pessoas globalmente, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). No Brasil, foram notificados mais de 127 mil casos, com 125 óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde. 

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