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Artemis II: entenda os detalhes cruciais para o sucesso do retorno da tripulação à Terra

Reentrada da cápsula Orion, da missão Artemis II, exige precisão milimétrica, calor extremo e minutos de silêncio absoluto até o pouso no Pacífico  |  Foto: Divulgação/NASA.

Publicado em 11/04/2026, às 10h03   Foto: Divulgação/NASA.   Bianca Novais

A etapa final de uma missão espacial pode ser também a mais delicada. No caso da Artemis II, o retorno à Terra condensa anos de planejamento em apenas 13 minutos — uma sequência rigorosa de eventos que transforma velocidade extrema em um pouso controlado no oceano.

Segundo o g1, esse processo começa ainda fora da atmosfera, com decisões críticas que determinam o sucesso ou o fracasso da missão.

Ajuste crítico

Cerca de 20 minutos antes da reentrada, o módulo de serviço é descartado, deixando apenas a cápsula Orion com os astronautas. Em seguida, uma breve queima de motores define o ângulo exato de entrada na atmosfera, detalhe que não permite erro.

Uma inclinação inadequada pode gerar calor excessivo ou até fazer a nave “quicar” de volta ao espaço.

Mergulho em alta velocidade

A reentrada começa a aproximadamente 122 quilômetros de altitude. Nesse ponto, a cápsula ainda ultrapassa 40 mil km/h, cerca de 30 vezes a velocidade do som.

Ao atingir as primeiras camadas da atmosfera, o atrito passa a atuar como freio. Diferente de aviões, a Orion não busca cortar o ar: seu formato favorece o arrasto, desacelerando rapidamente.

Calor e silêncio

O processo gera temperaturas superiores a 2.700 °C, suficientes para criar uma camada de plasma ao redor da nave. Esse fenômeno bloqueia as comunicações com a Terra por cerca de seis minutos, o chamado blackout.

Sem contato com o solo, a cápsula segue de forma autônoma, enquanto equipes acompanham o momento mais tenso da missão.

Impacto no corpo humano

Durante a desaceleração, os astronautas enfrentam forças de até 3,9 vezes a gravidade terrestre. Na prática, o corpo passa a pesar quase quatro vezes mais.

A trajetória é desenhada para distribuir essa carga ao longo de minutos, evitando níveis ainda mais extremos.

Freio final

Já em baixa velocidade, a cerca de 6,7 km de altitude, entram em ação os paraquedas de estabilização. Pouco depois, a 1,8 km, três paraquedas principais reduzem a velocidade para aproximadamente 32 km/h.

Esse é o último estágio antes do contato com o oceano.

Pouso no Pacífico

O splashdown ocorre no Oceano Pacífico, próximo a San Diego, na Califórnia. Apesar de controlado, o impacto ainda é comparável a uma desaceleração brusca, mas dentro dos limites seguros.

Equipes de resgate se aproximam rapidamente, utilizando recursos que incluem infláveis para estabilizar a cápsula.

Retorno à Terra firme

Os astronautas são retirados cerca de duas horas depois e levados ao navio militar USS John P. Murtha, onde passam por avaliações médicas iniciais.

Na sequência, seguem para o Johnson Space Center, onde continuam sob monitoramento.

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