Política
Publicado em 28/05/2026, às 06h30 Foto: Pexels/Nduwa Siachaba Andrezza Souza
O Brasil registrou 3.642 homicídios de mulheres em 2024, segundo dados do Atlas da Violência divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O número representa taxa de 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres e uma redução de 6,7% em relação ao ano anterior.
Apesar da queda recente, o levantamento mostra que a violência letal contra mulheres ainda permanece em níveis elevados no país. Entre 2014 e 2024, mais de 46 mil mulheres foram assassinadas no território nacional.
O estudo aponta que o maior índice da série histórica foi registrado em 2017, quando a taxa chegou a 4,7 homicídios por 100 mil mulheres. Desde então, o país passou a apresentar uma trajetória de redução, especialmente entre 2018 e 2019.
Mesmo com a melhora nos indicadores, os pesquisadores alertam que a diminuição não ocorreu de forma homogênea entre os estados brasileiros.
Os estados com os maiores índices de homicídios de mulheres em 2024 foram Roraima, Rondônia, Ceará, Pernambuco e Bahia. Segundo o Atlas da Violência, as regiões Norte e Nordeste continuam concentrando os cenários mais críticos do país.
Roraima liderou o ranking nacional, com taxa de 12,6 mortes por 100 mil mulheres. Já São Paulo apresentou o menor índice do Brasil, com 1,5 homicídio por 100 mil habitantes femininas.
O levantamento também mostra que 19 das 27 unidades federativas registraram redução nas taxas entre 2023 e 2024. Em contrapartida, estados como Ceará, Maranhão e Roraima apresentaram crescimento nos números de violência letal feminina.
Os dados do Atlas revelam ainda forte desigualdade racial nos homicídios femininos.
Em 2024, 2.457 mulheres negras foram assassinadas no Brasil, representando 67,5% de todas as vítimas de homicídio do sexo feminino no país. A taxa entre mulheres negras foi de 4 mortes por 100 mil habitantes, índice 66,7% maior do que o registrado entre mulheres não negras, cuja taxa ficou em 2,4.
Os estados com maiores taxas de homicídios de mulheres negras foram Ceará, Pernambuco, Espírito Santo e Roraima. Já São Paulo, Sergipe e Distrito Federal registraram os menores índices.
Segundo o estudo, a violência contra mulheres negras evidencia o impacto do racismo estrutural aliado às desigualdades sociais e de gênero.
O relatório também aponta crescimento da proporção de homicídios femininos ocorridos dentro de residências, fator considerado um indicativo importante para análises relacionadas ao feminicídio.
Em 2024, 35,2% dos homicídios de mulheres aconteceram dentro de casa. No mesmo período, os feminicídios representaram 40,3% do total de assassinatos femininos registrados pelas estatísticas policiais.
O Atlas da Violência destaca que os crimes ocorridos no ambiente doméstico apresentam comportamento diferente dos homicídios em espaços públicos, mantendo estabilidade mesmo diante da queda geral da violência letal no país.
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