Política
Publicado em 12/05/2026, às 16h03 Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Amanda Ambrozio
Nesta terça-feira (12), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), defendeu que o governo não apoiará um projeto com o fim da escala 6x1 com período longo de trasição.
De acordo com Boulos, a medida é uma maneira de "empurrar para a frente" as mudanças que reduzem a jornada de trabalho.
Atualmente, o Congresso Nacional discute o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Na sua entrevista ao programa "Bom dia, Ministro", Boulos questionou os critérios utilizados para adiar benefícios aos trabalhadores em comparação com medidas que favorecem setores econômicos.
“É muito engraçado, porque quando aprova privilégio, vale no dia seguinte. Quando aprova desoneração para grande empresário, vale no dia seguinte. Agora, quando é para beneficiar o trabalhador, vai valer daqui a 1, 2, 5 anos? Que critério é esse?”, indagou o ministro.
Ele defende que um prazo de 60 dias seria tempo suficiente para que as empresas reorganizem suas escalas, rejeitando qualquer proposta que preveja anos para a consolidação da nova lei, de acordo com a Agência Gov.
Boulos também rebateu as previsões pessimistas de setores produtivos. Segundo ele, isso não passa de um "terrorismo econômico".
Ele embasou sua defesa em um estudo do IPEA, que indica que o impacto financeiro da redução da jornada seria comparável aos reajustes históricos do salário mínimo, algo que o mercado brasileiro já absorveu diversas vezes sem gerar desemprego em massa.
O ministro relembrou que argumentos similares de falência iminente foram usados no passado contra a criação das férias remuneradas e do 13º salário.
O ministro finalizuou citando os diversos benefícios a população caso a escala 6x1 acabe, como o aumento da qualidade de vida, principalmente para as mulheres que enfrentam dupla jornada de trabalho.
Ele também destacou o aumento da produtividade com os empregados mais descansados.
“Onde se reduziu a jornada e deu mais tempo de descanso, houve melhora do rendimento e aumento da produtividade”, concluiu Boulos.
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