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Política

Câncer de mama: quais são os sinais, riscos e formas de prevenção

Com estimativa de 78.610 novos casos por ano no Brasil, o câncer de mama exige atenção aos sinais, fatores de risco e acompanhamento médico  |  Foto: Pexels

Publicado em 01/10/2026, às 06h00   Foto: Pexels   Andrezza Souza

O Brasil tem uma estimativa de 78.610 novos casos de câncer de mama para cada ano do triênio 2026 a 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em 2024, foram registradas 20.849 mortes pela doença no país.

Foto: Criada por IA

O câncer de mama é provocado pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que pode formar um tumor com capacidade de atingir outros órgãos. A doença apresenta diferentes tipos, com ritmos variados de crescimento.

Apesar de ser mais frequente entre mulheres, o câncer de mama também pode atingir homens. Nesse grupo, os casos representam cerca de 1% do total.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para a doença em unidades hospitalares especializadas. Quando identificado em fase inicial e tratado de forma adequada, o câncer de mama pode apresentar bom prognóstico e melhores resultados no tratamento.

Durante o Outubro Rosa, a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento ganham atenção. Em entrevista ao BNews São Paulo, a Dra. Larissa Cassiano, ginecologista e obstetra, especialista em gestação de alto risco e terapia sexual, colunista do UOL, mestranda pela Universidade de São Paulo (USP) e influenciadora, destacou a importância de considerar as características individuais de cada paciente durante a avaliação.

"É muito importante levar em consideração o histórico familiar, a própria característica da mama, então se a mama é mais volumosa, se é uma mama menor, levar em consideração as cirurgias que podem ter sido feitas na mama", explicou a médica ao BNews São Paulo.

Larissa também citou a presença de próteses mamárias entre as informações que devem ser consideradas durante o acompanhamento. "Sempre que possível, avaliação das mamas em consulta ginecológica", afirmou.

Câncer de mama pode dar sinais antes do diagnóstico

O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais por meio de alterações nas mamas. O INCA cita como sinais a presença de nódulos, saída espontânea de líquido pelo mamilo, mudanças na pele, aumento progressivo da mama e alterações no formato do mamilo.

A pele pode apresentar aspecto semelhante ao de uma casca de laranja ou sofrer retrações. Pequenos nódulos também podem surgir no pescoço ou nas axilas.

Em entrevista ao BNews São Paulo, Larissa chamou atenção para alterações que podem ser percebidas pela própria mulher. "Mudança na textura da mama, mudança do mamilo, saída de secreção devem fazer parte da avaliação das próprias mamas", afirmou.

A médica também citou áreas endurecidas, nódulos e alterações importantes na simetria. Uma pequena diferença entre as mamas pode fazer parte das características naturais do corpo. Já uma mudança significativa em relação ao padrão habitual deve ser investigada.

"Uma leve assimetria entre uma e outra é normal, mas se houver uma mudança nessa assimetria muito significativa, isso é importante de ser visto", explicou Larissa ao BNews São Paulo.

A inversão do mamilo que não existia anteriormente e a saída de secreção também entram na lista de sinais que merecem avaliação. A presença de sangue na secreção é outro ponto de atenção citado pela médica.

O INCA recomenda que as mulheres observem as próprias mamas no cotidiano, durante o banho, ao trocar de roupa ou em outros momentos. Não é necessário seguir uma técnica específica. A orientação é perceber alterações que não estavam presentes anteriormente.

Nem todo risco está na genética

Foto: Pexels
Foto: Pexels

A idade está entre os principais fatores associados ao câncer de mama. Segundo o INCA, aproximadamente quatro em cada cinco casos ocorrem depois dos 50 anos.

A lista de fatores de risco também inclui excesso de gordura corporal, inatividade física, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e exposição frequente a radiações ionizantes.

Há ainda fatores relacionados à história reprodutiva e hormonal. Entre eles estão primeira menstruação antes dos 12 anos, não ter tido filhos, primeira gravidez após os 30 anos e menopausa após os 55 anos.

O uso de contraceptivos hormonais e a reposição hormonal após a menopausa, principalmente por mais de cinco anos, também aparecem entre os fatores relacionados ao risco.

No campo genético e hereditário, o INCA cita histórico familiar de câncer de ovário, casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos, câncer de mama em homens e alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.

A presença de fatores genéticos ou hereditários está relacionada a cerca de 5% a 10% dos casos. O instituto ressalta que ter um ou mais fatores de risco não significa que a mulher necessariamente desenvolverá a doença.

Para Larissa, o histórico familiar pode indicar um risco maior e antecipar a necessidade de acompanhamento.

"Histórico familiar é um marcador para a gente de risco maior. Então, vem um exemplo: se você teve um familiar que teve câncer de mama em idade precoce, você tem a indicação de fazer avaliação da sua rotina, de preferência 10 anos antes dessa pessoa", explicou a ginecologista ao BNews São Paulo.

A médica citou, como exemplo, uma mulher cuja familiar teve câncer de mama aos 40 anos. Nesse cenário, o acompanhamento poderia começar mais cedo, conforme avaliação médica.

"Então, o histórico familiar é importante para a gente entender que o risco é maior e também para iniciar a prevenção mais precocemente", afirmou Larissa.

Principais fatores de risco

Foto: Criada por IA

Mulheres com próteses mamárias e aquelas com mamas muito densas também podem precisar de uma investigação específica, segundo a ginecologista.

"Mulheres que possuem prótese devem fazer parte de uma investigação mais específica, porque a prótese pode afetar a avaliação", afirmou Larissa em entrevista ao BNews São Paulo.

Segundo ela, a densidade das mamas também pode dificultar a análise. "Pessoas que possuem mamas que são muito densas, uma mama muito dura, isso pode impactar na hora da avaliação, pode dificultar um pouco. Então essas pessoas precisam de um olhar mais atento e com mais cuidado."

Hábitos podem reduzir parte dos riscos

O INCA estima que cerca de 17% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis. Entre as medidas citadas estão a prática de atividade física, a manutenção do peso corporal adequado, a redução do consumo de bebidas alcoólicas e a amamentação.

O instituto também aponta fatores relacionados ao ambiente de trabalho. Exposição à radiação, contato com determinados produtos químicos e trabalho no período noturno, entre 22h e 5h, estão entre as situações associadas ao aumento do risco.

Profissionais da saúde, trabalhadores rurais, equipes responsáveis pela esterilização de materiais, trabalhadores da indústria e pessoas que atuam nos setores de aviação, segurança, serviços, transporte e logística podem integrar grupos ocupacionais expostos a esses fatores.

No ambiente profissional, medidas de controle, monitoramento ocupacional e uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs) são indicados para reduzir exposições.

Mamografia ajuda a encontrar alterações antes dos sintomas

O câncer de mama pode ser identificado em fases iniciais, o que aumenta a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com melhores resultados. O rastreamento e o acesso ao tratamento também estão relacionados à redução da mortalidade pela doença.

O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. O exame é realizado quando não existem sinais ou sintomas suspeitos e pode identificar alterações antes que sejam percebidas pelas próprias mulheres.

Para aquelas que apresentam risco elevado, a orientação do INCA é conversar com um médico para avaliar o risco individual e definir a conduta.

A mamografia diagnóstica, usada na investigação de alterações suspeitas, pode ser solicitada em qualquer idade, conforme avaliação médica. Outros exames, como ultrassonografia e ressonância magnética, também podem ser indicados durante a investigação.

A confirmação do diagnóstico, porém, é feita por meio de biópsia. O procedimento permite retirar fragmentos da lesão suspeita para análise por um patologista.

Por que não esperar uma alteração piorar?

Para a Dra. Larissa Cassiano, adiar a investigação de uma mudança nas mamas pode interferir na condução do caso.

"Quanto mais precoce for o diagnóstico de alterações na mama, maiores são as possibilidades de tratamento", afirmou a médica ao BNews São Paulo.

Segundo Larissa, deixar a avaliação para depois pode afetar a conduta adotada posteriormente. "Quanto mais cedo a avaliação, quanto mais precoce, maiores são as chances. Por isso que retardar essa avaliação pode ter um impacto muito grande", explicou.

A orientação vale também para mulheres que deixam consultas ou exames de lado por medo de encontrar alguma alteração.

O diagnóstico em fase inicial aumenta o potencial de tratamento com intenção curativa. Já nos casos em que a doença se espalhou para outros órgãos, o tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.

O tratamento varia conforme o estágio da doença, as características do tumor e as condições de cada paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.

O câncer de mama não tem uma única causa e também não apresenta um único caminho de prevenção. A atenção aos próprios sinais, o acompanhamento médico e a investigação de alterações suspeitas fazem parte dos cuidados recomendados para a saúde das mamas.

Classificação Indicativa: Livre


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