Política
Publicado em 22/02/2026, às 17h29 Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo Maria Laura Saraiva
A cidade de São Paulo registrou números históricos no Carnaval de 2026. De acordo com o Ministério do Turismo, 16,5 milhões de pessoas participaram da folia na capital, movimentando mais de R$ 7 bilhões na economia. O volume reforçou o slogan adotado pela prefeitura, que promoveu a edição como “o maior Carnaval do país”.
Mas o crescimento acelerado também trouxe questionamentos. Blocos tradicionais e foliões passaram a cobrar se a ampliação do público foi acompanhada por investimentos proporcionais em infraestrutura.
Segundo apuração do UOL, relatos de organizadores indicam redução de cerca de 30% no número de banheiros químicos em comparação com 2025, com média de 1,9 mil unidades por dia. A crítica ganhou força no mesmo ano em que a gestão municipal anunciou patrocínio recorde de R$ 30,2 milhões com a Ambev.
Parte dos coletivos afirmou ter enfrentado dificuldades para acessar recursos públicos. O tradicional Bloco Tarado Ni Você chegou a cogitar não desfilar e realizou um protesto na avenida São João com a frase “Sequestraram o Carnaval”. Já o Sargento Pimenta não saiu às ruas pela primeira vez desde 2013.
Enquanto isso, megablocos patrocinados concentraram grandes atrações, como o DJ escocês Calvin Harris e a estreia de Ivete Sangalo no Carnaval paulistano.
A discussão sobre planejamento ganhou força após confusão na região da Consolação, onde apresentações simultâneas reuniram multidões. Foliões passaram mal e houve derrubada de grades.
O prefeito Ricardo Nunes classificou o fim de semana como positivo, mas anunciou ajustes posteriores. Já o governador Tarcísio de Freitas defendeu mudanças operacionais para evitar riscos em áreas superlotadas.
O Ministério Público também questiona os critérios de distribuição de verba. Embora a expectativa fosse de cerca de 650 blocos nas ruas, aproximadamente 100 teriam recebido repasse direto de R$ 25 mil.
A prefeitura afirma que a estrutura segue planejamento técnico baseado em estimativas de público e que o modelo busca profissionalizar e reforçar a segurança do evento.