Política

Carnaval vira palco político? Enredo sobre Lula inflama oposição

A apresentação da Acadêmicos de Niterói trouxe à tona a disputa eleitoral, com Lula sendo homenageado e críticas a adversários.  |  Reprodução/TV Globo

Publicado em 16/02/2026, às 12h00   Reprodução/TV Globo   Fernanda Montanha

A apresentação da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, no domingo 15, levou a disputa eleitoral para o centro do Carnaval. A escola homenageou o presidente Lula com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

Ao longo do desfile, houve referências elogiosas ao petista e provocações a adversários. Uma alegoria retratando Jair Bolsonaro como palhaço com tornozeleira eletrônica gerou forte reação da oposição, que classificou o ato como afronta à legislação eleitoral, segundo o Metrópoles.

Antes mesmo da passagem pela avenida, partidos e parlamentares tentaram impedir a apresentação na Justiça, mas não obtiveram êxito. Parte dos aliados de Lula avaliou que a participação direta do presidente poderia representar risco político.

Ainda assim, prevaleceu o entendimento de que a exposição seria estratégica. Lula acompanhou o desfile de um camarote e desceu para a pista em determinado momento, cercado por apoiadores, seguranças e jornalistas.

A primeira dama Janja desistiu de desfilar pouco antes da apresentação. A decisão ocorreu em meio a questionamentos sobre eventual propaganda antecipada, e ministros foram orientados a evitar participação para reduzir possíveis questionamentos jurídicos.

Reprodução/Riotur

Reação da oposição e ofensiva judicial

Na segunda-feira (16), o senador Flávio Bolsonaro afirmou que acionaria o Tribunal Superior Eleitoral contra o desfile. A oposição sustenta que houve propaganda eleitoral antecipada financiada com recursos públicos, já que as escolas de samba recebem verba estatal.

O partido Novo também declarou que pretende recorrer ao TSE e mencionou a possibilidade de pedir inelegibilidade. Parlamentares e pré candidatos intensificaram críticas nas redes sociais, ampliando o embate político.

A ex primeira dama Michelle Bolsonaro contestou a alegoria que fazia referência ao marido e afirmou que a condenação de Lula por corrupção consta em registros judiciais. O senador Sergio Moro classificou o episódio como inédito e criticou o uso de dinheiro do contribuinte.

O governador Romeu Zema concentrou suas críticas na notícia de que evangélicos seriam retratados em uma lata de conserva. Para ele, haveria preconceito religioso na apresentação.

Engajamento de apoiadores

Enquanto adversários prometem nova ofensiva judicial, apoiadores de Lula passaram a defender o desfile nas redes. O presidente tornou-se o principal tema de debate em perfis ligados ao bolsonarismo, impulsionando a polarização.

Parlamentares petistas elogiaram a escola e ironizaram as críticas. Também houve questionamentos à cobertura televisiva do evento, sob alegação de que trechos teriam sido minimizados.

Classificação Indicativa: Livre


Tags