Política

Comunidades paulistas convivem com falta de água após racionamento da Sabesp

Segundo moradores das comunidades, medida da Sabesp que diminui a pressão da água faz com que a água não chegue em pontos mais elevados  |  Foto: Reprodução/YouTube

Publicado em 22/07/2026, às 15h29 - Atualizado às 15h29   Foto: Reprodução/YouTube   Amanda Ambrozio

A redução da pressão da água durante a noite, adotada pela Sabesp para diminuir perdas no sistema de abastecimento, continua afetando moradores de regiões periféricas de São Paulo.

Em bairros localizados em áreas mais altas e com ocupações irregulares, a medida faz com que o abastecimento fique comprometido diariamente, cenário que especialistas e moradores classificam como uma espécie de racionamento permanente.

É o caso da comunidade no topo do Jardim D’Abril, na Zona Oeste da capital. Sem ligação oficial à rede da Sabesp e situada em um ponto elevado, a região enfrenta dificuldades para receber água sempre que a pressão é reduzida.

Foto: Divulgação/Cesan

Redução da pressão afeta principalmente as periferias

Segundo a Sabesp, a chamada Gestão de Demanda Noturna (GDN) ocorre das 19h às 5h e tem como objetivo reduzir vazamentos e preservar os reservatórios.

Diferentemente do rodízio, o abastecimento não é interrompido, mas a diminuição da pressão compromete o fornecimento em áreas mais altas.

No Jardim D’Abril, o líder comunitário Anailson Santos Lima afirma que o problema faz parte da rotina dos moradores. "Quando chegam do trabalho, no começo da noite, as pessoas não conseguem tomar banho porque a água fica fraca e o chuveiro queima", relata ele.

O diagnóstico do Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado (PMSAI-SP), elaborado em parceria com a ONU-Habitat, mostra que o problema se concentra principalmente nas Zonas Sul, Leste e Norte da cidade, em distritos como Parelheiros, M'Boi Mirim, Cidade Tiradentes, Itaquera, Guaianases, Brasilândia e Perus.

Plano propõe fim da medida

De acordo com a Folha de S.Paulo, o levantamento aponta que São Paulo possui cerca de 78,3 mil endereços com déficit de cobertura da rede de abastecimento, sendo que 88% deles estão em assentamentos urbanos informais.

Em resposta, a Sabesp informou ter realizado quase 48,5 mil novas ligações em áreas informais e rurais entre 2024 e 2026.

Entre as propostas do PMSAI-SP está a substituição gradual da redução de pressão por tecnologias capazes de identificar vazamentos em tempo real.

A Sabesp afirma que esses sistemas já fazem parte de sua estratégia, mas considera que ainda não são suficientes para substituir a redução controlada da pressão, medida que, segundo a companhia, permitiu economizar mais de 172 bilhões de litros de água.

Sobre o Jardim D'Abril, a concessionária informou que a regularização do abastecimento depende de autorização da prefeitura devido à ocupação irregular da área. 

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