Política
Publicado em 30/09/2026, às 15h00 Daniel e Henrique Vorcaro - Foto: Reprodução/Banco Master e Redes Sociais Amanda Ambrozio
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o pai dele, Henrique Vorcaro, prestam depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (30), no âmbito da investigação sobre os grupos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”.
Segundo a apuração da PF, as estruturas seriam utilizadas para monitorar desafetos da família, obter informações de investigações sigilosas e realizar ataques virtuais.
Daniel será ouvido pela segunda vez formalmente na investigação. Já Henrique presta depoimento pela primeira vez.
Os dois estão presos preventivamente e deverão responder a questionamentos sobre a suposta atuação dos grupos e as relações mantidas com pessoas apontadas como integrantes das estruturas.
De acordo com as investigações, os grupos “A Turma” e “Os Meninos” funcionariam como uma espécie de estrutura privada de espionagem e ameaças ligada a interesses de Vorcaro e de pessoas próximas a ele.
A PF apura se os envolvidos monitoravam ilegalmente pessoas consideradas adversárias ou ameaças aos negócios do então banqueiro. Entre as suspeitas estão acessos indevidos a sistemas e obtenção de informações relacionadas a investigações sigilosas.
Segundo a corporação, os grupos também teriam realizado ataques virtuais e levantado dados sobre desafetos da família.
Segundo o portal R7, informações teriam sido obtidas de sistemas da própria Polícia Federal e da Interpol, o que é alvo de apuração pelas autoridades.
Daniel Vorcaro foi preso em março durante a Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Atualmente, ele está detido preventivamente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília.
A defesa afirma que o ex-banqueiro responderá aos questionamentos da PF e negará ter solicitado qualquer ação ilegal contra outras pessoas.
Segundo os advogados, Vorcaro também deverá sustentar que não existe vítima diretamente relacionada às práticas atribuídas a ele no âmbito da investigação.
O Banco Master, que estava sob controle de Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Henrique Vorcaro está preso desde maio no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O depoimento desta quarta-feira será o primeiro dele no âmbito da investigação sobre os grupos. A PF apura se Henrique teria participado da continuidade das ações de monitoramento e de tentativas de obstrução das investigações.
Entre os episódios investigados está uma suposta tentativa de pressionar pessoas ligadas a Luiz Phellipe Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como integrante do grupo ligado a Vorcaro.
Segundo a investigação, Mourão teria atentado contra a própria vida enquanto estava na Superintendência da PF em Belo Horizonte. As autoridades apuram se houve pressão para impedir que ele ou pessoas próximas fornecessem informações à polícia.
A defesa de Henrique nega a interpretação apresentada pela investigação e afirma que a relação dele com as pessoas citadas no caso era exclusivamente “negocial”, relacionada à corretagem de terras.
A investigação tramita sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Henrique Vorcaro afirma estar insatisfeita com a condução do caso e questiona a atuação do relator.
Os advogados também afirmam ter apresentado ao ministro depoimentos da mãe e da irmã de Luiz Phellipe Mourão. Segundo a defesa, ambas negariam ter sido ameaçadas pela família Vorcaro.
Os advogados sustentam que essas declarações não teriam sido consideradas na condução da investigação.
Henrique Vorcaro prestará depoimento por videoconferência, diretamente do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, a partir das 16h.
A defesa havia solicitado autorização para acompanhar o cliente presencialmente durante a videoconferência. O pedido, porém, teria sido negado pela direção do presídio.
Na última segunda-feira, o advogado de Henrique pediu ao ministro André Mendonça autorização para permanecer ao lado do cliente durante o depoimento. Até a publicação desta reportagem, não havia despacho sobre a solicitação.
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