Política

“Dark Horse”: filme de Bolsonaro tem estreia adiada para depois da eleição

A mudança na data de lançamento do filme sobre Jair Bolsonaro ocorre após preocupações sobre seu impacto político nas eleições deste ano.  |  Foto: Reprodução/Dark Horse

Publicado em 23/06/2026, às 08h17   Foto: Reprodução/Dark Horse   Fernanda Montanha

A produtora responsável por “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), avalia adiar o lançamento do longa para depois das eleições de outubro.

A previsão é que a produção chegue aos cinemas entre novembro e dezembro de 2026. A estreia, que inicialmente estava planejada para antes do pleito, passou a ser discutida por causa do calendário eleitoral.

A mudança também ocorre após questionamentos sobre possível impacto político da obra. No início do mês, o PT acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) alegando possível uso eleitoral do filme.

Durante uma exibição nos Estados Unidos, o diretor Cyrus Nowrasteh afirmou que esperava que a produção contribuísse para a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, segundo o Metrópoles.

Divulgação e impasses sobre o lançamento

Segundo a produtora Go Up, o adiamento pode acontecer pela falta de tempo para realizar a divulgação do filme antes de outubro. Karina Ferreira da Gama, sócia da empresa, estaria negociando com distribuidoras americanas e avaliando que a campanha de lançamento só teria início após a Copa do Mundo.

A discussão sobre a data também envolve aliados da família Bolsonaro. Um dos pontos de preocupação é a repercussão sobre os valores destinados à produção do longa, incluindo a participação financeira atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Custos e investigações sobre recursos

Vorcaro, dono do Banco Master, teria enviado ao menos R$ 61 milhões para a produção por meio de um fundo. O caso passou a ser analisado em meio a investigações envolvendo possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do projeto.

Uma perícia contratada pela Go Up Entertainment apontou que o filme teria custado cerca de R$ 75,1 milhões, considerando despesas realizadas nos Estados Unidos e no Brasil. O relatório foi incluído em uma investigação que apura possíveis desvios envolvendo uma ONG ligada à produtora.

A entidade Instituto Conhecer Brasil (ICB) também é investigada por um contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi. Segundo o inquérito, há suspeitas sobre a utilização dos recursos e a atuação de empresas envolvidas no serviço.

A Polícia Federal ainda apura se valores ligados ao fundo utilizado na produção tiveram relação com a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.

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