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Depoimento de motorista de Haddad diverge de imagens da SSP

Motorista prestou depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira e apresentou uma cronologia diferente da divulgada pela Segurança Pública  |  Foto: Reprodução/Washington Costa/MF

Publicado em 17/08/2026, às 22h45   Foto: Reprodução/Washington Costa/MF   Andrezza Souza

O motorista da campanha de Fernando Haddad (PT) prestou depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira (17/8) sobre a suposta abordagem da Polícia Militar ocorrida na semana passada. O relato apresentado pelo funcionário diverge em alguns pontos da cronologia indicada pelas imagens de câmeras de segurança divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).

O depoimento foi prestado na 2ª Delegacia Seccional, na zona sul de São Paulo. Segundo informações obtidas pelo Metrópoles, uma das principais diferenças está no horário em que o motorista teria deixado o hotel na Rua Joinville, na Vila Mariana.

De acordo com o relato à polícia, o profissional chegou ao local por volta das 21h58, depois de deixar Haddad em casa após um evento na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Ele afirmou ter escolhido o hotel por considerar que havia câmeras de segurança na região.

Ainda segundo o depoimento, uma viatura teria se aproximado novamente enquanto ele estava estacionado. Os policiais teriam parado alguns metros à frente e desembarcado. Conforme o relato, três agentes ficaram na calçada e um deles teria ordenado que o motorista “vazasse”.

O profissional afirmou que permaneceu no local até aproximadamente 23h09, quando deixou a Rua Joinville e seguiu para casa. Segundo ele, não houve outro contato com viaturas depois disso.

Horários são diferentes

A cronologia apresentada pelo motorista não coincide com as imagens divulgadas pela SSP. Segundo os registros de uma câmera de um condomínio residencial, o veículo estava estacionado na Rua Joinville às 21h58.

Às 22h24, uma viatura passou lentamente pelo carro. Dois minutos depois, às 22h26, o veículo do motorista deixou o local.

A diferença entre os horários chega a 43 minutos. No depoimento, o motorista afirmou ter deixado a rua às 23h09. Já a gravação indica que o carro saiu às 22h26.

Há também divergência sobre a movimentação da viatura. A SSP afirma que o veículo policial passou pelo carro sem parar. Já o motorista relatou à Polícia Civil que a equipe estacionou alguns metros à frente e que os agentes desembarcaram.

A secretaria informou que mais de 70 câmeras foram analisadas durante a apuração.

O depoimento também apresenta uma diferença em relação a uma declaração anterior do motorista. Inicialmente, ele havia afirmado que saiu do carro para questionar os policiais sobre o suposto acompanhamento e teria ouvido a ordem para “vazar”. No novo relato, disse que permaneceu dentro do veículo e ouviu a frase enquanto estava no carro.

Haddad questiona imagens analisadas

Foto: Reprodução/Vídeo
Foto: Reprodução/Vídeo
Foto: Reprodução/Vídeo

Também nesta segunda-feira, Haddad afirmou que existe uma “inconsistência grave” na investigação e defendeu a análise de câmeras específicas que possam esclarecer o que ocorreu.

“Você pode investigar cem câmeras, mil câmeras. Nós estamos levando para o delegado quais as câmeras que estão instaladas e poderiam comprovar a narrativa do motorista”, afirmou.

O candidato também questionou imagens que, segundo ele, não mostram o momento da suposta abordagem.

“Eu tenho que pegar a imagem certa. Porque aquela câmera não desmente que a viatura parou, você não vê o que acontece com a viatura depois”, disse.

O caso começou após o motorista relatar que teria sido seguido por uma viatura depois de deixar Haddad em casa, na noite de 11 de agosto. Mensagens enviadas por ele naquela noite também registraram a alegação de que estava sendo acompanhado pela PM.

Tarcísio fala em falsa comunicação

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou no domingo (16/8) que as informações reunidas até o momento indicam uma possível falsa comunicação de crime.

Segundo Tarcísio, as imagens e os dados de GPS das viaturas foram analisados. Ele afirmou que uma das viaturas passou pela região da residência de Haddad e, posteriormente, seguiu para o estacionamento do batalhão. Outra equipe teria passado pelo hotel sem realizar uma abordagem.

O governador também declarou que, caso a investigação conclua que houve falsa comunicação de crime, o motorista poderá ser responsabilizado. O Código Penal prevê detenção de um a seis meses ou multa para quem comunica uma ocorrência criminosa ou contravenção sabendo que ela não aconteceu.

A investigação da Polícia Civil continua.

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