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Política

Entenda o mistério das camisinhas sujas espalhadas pela Liberdade

A Praça da Liberdade se torna palco de uma exposição perturbadora, com cartazes que retratam mulheres e suas histórias trágicas  |  

Publicado em 03/11/2026, às 09h14      Vinicius Brito

Quem passa pela Praça da Liberdade, em São Paulo, pode encontrar cartazes com a foto de uma mulher colados em placas de sinalização de trânsito. Em cima da imagem, há uma camisinha presa ao papel. Abaixo da fotografia, aparece o nome da vítima.

A poucos metros do primeiro ponto, outro poste exibe um cartaz idêntico, com a mesma imagem e o mesmo padrão de exposição na Liberdade.

Ela não é a única vítima. Há relatos de cartazes espalhados por diferentes pontos da capital com preservativos, alguns aparentemente usados, colados sobre a boca das mulheres retratadas. Os registros desse tipo de exposição remontam, pelo menos, a 2015. Muitas das vítimas são de origem chinesa.

Documentos da UFF registram punições disciplinares contra o ex-aluno

O responsável pelos cartazes é um homem identificado como Lucas Wang (nome fictício). Em um fórum na internet, usuários afirmam que ele seria ex-aluno do curso de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e teria trabalhado como executivo na Odebrecht. Segundo esses relatos, ele teria perdido o emprego, o dinheiro e a família após a Operação Lava-Jato e, desde então, estaria tentando se vingar de pessoas conhecidas.

Wang, de fato, estudou na UFF. Documentos da universidade mostram que, em 2017, ele foi suspenso por 30 dias por mau comportamento. No ano seguinte, a instituição instaurou uma nova comissão de sindicância para apurar novamente a conduta do então estudante.

O que explicam os cartazes


Uma das vítimas de Lucas Wang dividiu com ele um apartamento na moradia estudantil da UFF, em Niterói, no Rio de Janeiro. Em entrevista, o homem, que não será identificado pela reportagem, afirmou não entender a motivação das ações e negou ter provocado o ex-colega.

“[O que ele faz] não tem a ver com a lógica. Você não vai encontrar com nenhuma das vítimas que passam por esse problema, tá bem? Essa é uma coisa. Então, não, eu nunca fiz nada ao Lucas, eu nunca ofendi o Lucas, mas ele tem muitos processos contra mim”, relatou.

Wang chegou a entrar com uma ação por danos morais contra o ex-colega de quarto. O processo, porém, foi arquivado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em setembro de 2019.

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TagsSão PaulomulherTribunal de JustiçaCartazesOperação lava-jato

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