Política

Entenda por que o PCC colocou o Brasil no centro dos planos de Trump para as Américas

O governo dos EUA classifica o PCC como a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental, ampliando sua atuação internacional.  |  Foto: Reprodução/X

Publicado em 02/07/2026, às 07h00 - Atualizado às 08h07   Foto: Reprodução/X   Fernanda Montanha

O governo dos Estados Unidos passou a tratar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como "a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental", conforme documento divulgado pelo Departamento do Tesouro.

O texto também afirma que a facção ampliou sua atuação internacional, com presença em países como Reino Unido, Turquia e Japão, além de representar uma ameaça crescente ao território americano.

Na mesma publicação, o Tesouro informou a aplicação de sanções contra 2 brasileiros e 3 empresas do Brasil por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

A medida integra a primeira rodada de punições desde que o grupo foi enquadrado pelas autoridades dos EUA como organização terrorista, segundo o G1.

Nova estratégia para a região

A referência ao Hemisfério Ocidental reforça a prioridade dada pelo governo de Donald Trump à América Latina. Em janeiro, o Departamento de Guerra apresentou uma estratégia de defesa que prevê maior atuação dos EUA do Ártico até a América do Sul, com foco em segurança, comércio e combate ao chamado narcoterrorismo.

O documento afirma que Washington pretende cooperar com países da região, mas também ressalta a possibilidade de ações militares quando considerar que seus interesses estejam ameaçados.

Como exemplo dessa postura, foi citada a operação que capturou o ex ditador venezuelano Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de comandar o Cartel de los Soles.

Entre as diretrizes anunciadas estão o fortalecimento da presença naval, o combate à imigração irregular, o enfrentamento ao tráfico de drogas e pessoas e a contenção da influência chinesa na região.

PCC e CV no foco americano

Em maio, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo o governo americano, as facções brasileiras possuem atuação além das fronteiras nacionais e são responsáveis por ataques violentos contra policiais, autoridades e civis.

Na ocasião, o secretário Marco Rubio afirmou que a administração Trump utilizaria todos os instrumentos disponíveis para enfraquecer o financiamento e a estrutura desses grupos criminosos.

O governo brasileiro tentou evitar essa classificação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a medida, defendeu a soberania nacional e afirmou que o Brasil não aceitaria ser tratado de forma desrespeitosa.

No Palácio do Planalto, a avaliação era de que o enquadramento poderia abrir espaço para ações mais rígidas dos Estados Unidos. Especialistas também destacam que a legislação brasileira já prevê punições severas para organizações criminosas, inclusive superiores às previstas na lei antiterrorismo.

Classificação Indicativa: Livre


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