Política
Publicado em 30/06/2026, às 07h54 Foto: reprodução/Dark Horse Fernanda Montanha
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade investigada por suspeitas envolvendo um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, teve questionamentos em documentos enviados ao Ministério da Justiça durante um pedido de reconhecimento como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).
A solicitação foi feita pela presidente da instituição, Karina Ferreira da Gama, em fevereiro deste ano. O título de Oscip é utilizado para reconhecer organizações sem fins lucrativos e facilitar parcerias com o poder público, segundo o Metrópoles.
Após avaliar os documentos apresentados, o Ministério da Justiça apontou que o estatuto do ICB precisava passar por alterações para atender às exigências legais. Um parecer técnico emitido em março indicou que havia pontos incompatíveis com a legislação e estabeleceu prazo para adequação.
Entre as mudanças solicitadas estava a retirada de trechos que permitiam benefícios aos associados da entidade. Segundo o órgão, os serviços de uma Oscip devem ter finalidade pública e não podem ser direcionados aos próprios membros.
A análise do Ministério da Justiça ocorre enquanto o ICB é investigado por suspeitas relacionadas ao contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de internet gratuita na periferia da capital.
O acordo, no valor de R$ 108 milhões, previa a criação de 5 mil pontos de wi-fi. Segundo as investigações, há suspeitas de irregularidades na aplicação dos recursos e na contratação de empresas terceirizadas pela organização.
Documentos analisados apontam que o faturamento da entidade aumentou de cerca de R$ 306 mil em 2022 para R$ 54 milhões em 2025. O crescimento ocorreu no mesmo período em que o contrato com o município estava em execução.
O ICB também passou a ser investigado por possíveis vínculos com empresas ligadas aos seus responsáveis. A apuração inclui suspeitas sobre pagamentos e notas fiscais apresentadas para justificar despesas.
Além disso, Karina Ferreira da Gama é sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, obra sobre o ex presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Civil investiga se houve uso de recursos públicos no financiamento da produção.
A produtora nega qualquer relação entre o contrato municipal e o filme. Segundo a empresa, a obra teve custo declarado de R$ 75 milhões, conforme perícia apresentada no processo.