Política
Publicado em 22/08/2026, às 11h59 Foto: Divulgação/Governo de SP Tatiana Ribeiro
O Governo de São Paulo intensificou o uso de tecnologias de monitoramento e inteligência artificial para prevenir e combater incêndios florestais durante o período de estiagem.
A estratégia faz parte do programa Geointeligência Integrada para Proteção Ambiental, desenvolvido pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
A iniciativa integra a Operação SP Sem Fogo, que recebeu investimento de R$ 19,3 milhões para reforçar a infraestrutura, os equipamentos de campo e as ações de proteção ambiental nas Unidades de Conservação estaduais.
O sistema reúne diferentes ferramentas para monitorar áreas protegidas em tempo real. Drones equipados com sensores termais conseguem localizar focos de calor mesmo em meio à fumaça e durante operações noturnas.
Satélites, por sua vez, acompanham alterações na vegetação e ajudam a identificar desmatamentos, abertura de estradas clandestinas e construções irregulares.
Outra tecnologia empregada é o LiDAR (Light Detection and Ranging), que utiliza pulsos de laser para produzir mapas tridimensionais do relevo e da vegetação. Os dados ajudam as equipes a identificar possíveis caminhos de propagação das chamas, definir rotas de acesso e fuga e planejar estratégias de combate.
A inteligência artificial também passou a integrar o monitoramento. Os sistemas cruzam informações como temperatura, umidade, direção dos ventos, declividade do terreno e quantidade de vegetação seca para criar simulações sobre o comportamento e a possível trajetória do fogo.
Segundo Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Florestal, a modernização permite ampliar a prevenção durante os meses de estiagem.
“A modernização tecnológica permite migrar para um modelo preventivo e contínuo, fundamental para os meses de estiagem em São Paulo. As ferramentas trazem maior eficiência na aplicação dos recursos públicos e dão agilidade e segurança às equipes que atuam na preservação das áreas protegidas”, afirmou.
O monitoramento orbital gera imagens e alertas geoespaciais de forma automática. Em São Paulo, a plataforma já produziu 21.501 alertas, sendo 1.850 relacionados a Unidades de Conservação estaduais.
O acompanhamento contínuo permite identificar alterações no território e possíveis crimes ambientais com maior rapidez. Entre as ocorrências que podem ser detectadas estão desmatamentos, abertura de vias clandestinas e construções irregulares.
Os dados também alimentam uma plataforma de gerenciamento de risco de incêndios baseada em inteligência artificial. A ferramenta analisa diferentes condições ambientais para antecipar áreas com maior probabilidade de ocorrência e propagação do fogo.
Com essas informações, as equipes conseguem definir previamente onde posicionar brigadas, quais regiões devem receber maior atenção e onde é necessário realizar a abertura ou manutenção de aceiros.
Durante as operações em campo, drones equipados com câmeras de alta resolução e sensores infravermelhos auxiliam na identificação de focos de incêndio. A tecnologia é especialmente importante para localizar pontos de calor que podem permanecer escondidos pela vegetação ou pela fumaça.
Os equipamentos também permitem identificar focos de reignição após o controle de um incêndio, inclusive durante a noite e em situações de baixa visibilidade.
O mapeamento realizado com LiDAR complementa o trabalho. A tecnologia produz uma representação em três dimensões da floresta e do terreno, permitindo identificar características que podem favorecer a propagação das chamas.
As informações produzidas pelos sistemas são reunidas pela Diretoria de Proteção Ambiental da Fundação Florestal e transformadas em relatórios georreferenciados. Os documentos são utilizados para orientar ações conjuntas com a Polícia Militar Ambiental, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e órgãos de fiscalização.
De acordo com Adriano Candeias, diretor de proteção ambiental da Fundação Florestal, a integração entre as diferentes tecnologias permite transformar os alertas em informações úteis para a tomada de decisão.
“A integração entre dados de satélite, inteligência artificial e ferramentas de campo transforma alertas brutos em informação prática. Conseguimos prever o comportamento do fogo, identificar ameaças de invasão e direcionar as brigadas e forças de segurança com coordenadas exatas, reduzindo o tempo de resposta nas operações”, explicou.
Além das ferramentas tecnológicas, o investimento de R$ 19,3 milhões da Operação SP Sem Fogo também contempla a ampliação da estrutura utilizada pelas equipes em campo.
Entre os equipamentos adquiridos estão 25 caminhonetes 4x4, nove tanques-pipa com capacidade para 5 mil litros, 131 mochilas flexíveis para combate direto às chamas, 42 sopradores, 14 kits de combate para picapes e drones de longo alcance.
A estrutura destinada à manutenção de aceiros, trilhas e estradas internas também foi reforçada com 27 tratores, nove retroescavadeiras, 12 roçadeiras hidráulicas, sete carretas agrícolas, duas motoniveladoras e equipamentos para trituração de galhos.
A operação conta ainda com 243 brigadistas temporários contratados para atuar durante o período de estiagem. Os profissionais foram distribuídos em polos regionais e trabalham no monitoramento das áreas, no combate aos incêndios e na orientação de proprietários rurais próximos às Unidades de Conservação.
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