Política

Greve dos bancários: nova rodada de negociação está prevista para segunda-feira (24)

Com 97,66% de votos contrários, bancários de SP rejeitam proposta anterior e aprovam paralisação, destacando a força da mobilização  |  Foto: Reprodução

Publicado em 21/08/2026, às 09h35   Foto: Reprodução   Tatiana Ribeiro

A nona rodada de negociações entre os trabalhadores representados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) está marcada para a manhã desta segunda-feira (24).

A expectativa é que essa reunião deverá definir os próximos passos das negociações entre trabalhadores e representantes dos bancos. O encontro faz parte da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 e terá como foco o avanço das discussões sobre reajuste salarial e demais verbas da categoria.

Na oitava rodada, realizada na última terça-feira (18), a Fenaban retirou da mesa a proposta de reajuste por faixas salariais e de congelamento do piso de ingresso para novos bancários. Apesar do recuo, os bancos não apresentaram um índice de reajuste para os salários e demais verbas previstas na negociação.

Proposta rejeitada 


A proposta anterior havia sido rejeitada pelos trabalhadores em assembleias realizadas em todo o país. Em São Paulo, Osasco e região, 97,66% dos participantes votaram contra o modelo apresentado pela Fenaban. Na mesma votação, 89,34% aprovaram a realização de uma paralisação realizada nesta quinta-feira (20).

Segundo o Comando Nacional dos Bancários, mais de 50 mil trabalhadores participaram das assembleias realizadas em diferentes regiões do país. Para a entidade, a mobilização da categoria contribuiu para que os bancos recuassem da proposta de reajuste por faixas.

“Este recuo, sem dúvida, é uma vitória da nossa mobilização, da expressiva participação da categoria nas assembleias”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.


Bancos ainda não apresentam índice de reajuste


Apesar da retirada da proposta anterior, a principal reivindicação dos trabalhadores continua sem uma resposta da Fenaban. Os bancos ainda não apresentaram um percentual de reajuste para os salários e outras verbas econômicas.

A categoria também discute a manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), diante da proximidade da data-base dos bancários, marcada para 1º de setembro.


Discussão sobre ultratividade


Outro ponto de impasse envolve a ultratividade dos acordos e convenções coletivas. O mecanismo garantia a manutenção das regras previstas em um instrumento coletivo mesmo após o fim de sua vigência, até que uma nova negociação fosse concluída.

Com as mudanças promovidas pela Reforma Trabalhista, a ultratividade deixou de ser assegurada. Na prática, segundo o Comando Nacional, caso uma nova CCT não seja assinada até a data-base, direitos que não estejam previstos em lei podem deixar de ter garantia automática.

Durante a oitava rodada, o Comando Nacional voltou a cobrar da Fenaban uma garantia para a manutenção das cláusulas da convenção durante o período de negociação.

Segundo a entidade, os bancos recusaram o pedido e mencionaram a possibilidade de levar as discussões ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Negociações coletivas


Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e também coordenadora do Comando Nacional, criticou os efeitos do fim da ultratividade sobre as negociações coletivas.

“A estratégia dos bancos é postergar a apresentação de uma proposta”, afirmou a dirigente, ao relacionar o impasse à proximidade da data-base.



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