Política

Hantavírus pode virar epidemia? Entenda o risco e o que dizem especialistas

Um surto de hantavírus no navio MV Hondius gera alerta global com 8 casos, incluindo 3 mortes, e investigações sobre transmissão entre humanos.  |  Foto: Reprodução/BBC

Publicado em 08/05/2026, às 11h09   Foto: Reprodução/BBC   Fernanda Montanha

Um surto incomum de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius colocou órgãos de saúde de vários países em alerta e iniciou uma ampla operação de monitoramento de passageiros espalhados pelo mundo.

Desde abril, ao menos 8 casos foram associados à embarcação, sendo 3 confirmados por exames laboratoriais. Três pessoas morreram.

O navio saiu da Argentina com destino ao Atlântico Sul e à Antártida, e passageiros de países como Reino Unido, Holanda, Suíça, Estados Unidos e África do Sul passaram a ser acompanhados após o desembarque.

As autoridades avaliam o caso com atenção porque há suspeitas de que parte das infecções possa ter ocorrido entre humanos, algo raro, mas já observado com a cepa Andes do hantavírus, segundo a Revista Galileu.

Investigação sobre a origem da infecção

O primeiro caso surgiu apenas 5 dias após o início da viagem, o que chamou a atenção dos especialistas. Isso porque o período de incubação do hantavírus normalmente varia entre 2 e 4 semanas, embora em situações raras possa ser menor.

Essa diferença levantou a hipótese de que o primeiro passageiro já teria embarcado infectado. Agora, investigadores analisam atividades realizadas antes da viagem, incluindo passeios de observação de aves em áreas com possível presença de roedores silvestres contaminados.

O hantavírus costuma ser transmitido pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva de roedores infectados. No entanto, a variante Andes já apresentou registros limitados de transmissão entre pessoas em surtos anteriores na América do Sul.

Ambientes fechados aumentaram atenção

As condições do próprio cruzeiro também entraram no foco da apuração. Cabines compartilhadas, áreas comuns e longos períodos em ambientes fechados podem ter favorecido o contato próximo entre os passageiros.

Por isso, cientistas estão reconstruindo toda a rotina da viagem para identificar quem dividiu quarto, refeições ou excursões com pessoas infectadas. O objetivo é entender se houve transmissão interpessoal durante o trajeto.

O sequenciamento genético do vírus também será feito para verificar se há mutações associadas a esse tipo de contágio.

Monitoramento segue sem alerta de pandemia

Os sintomas iniciais da doença podem se confundir com gripe, incluindo febre, fadiga e dores musculares. Em casos mais graves, surgem falta de ar, dor abdominal, náuseas e insuficiência respiratória.

Não existe tratamento específico para a infecção, e o atendimento se concentra no suporte hospitalar para controlar os sintomas.

No Reino Unido, passageiros ligados ao cruzeiro foram orientados a cumprir isolamento de 45 dias. Nos Estados Unidos e na Suíça, também houve monitoramento de casos suspeitos.

Apesar da repercussão, a OMS reforçou que o risco para a população em geral continua baixo e que o hantavírus não apresenta o mesmo potencial de rápida disseminação observado em doenças respiratórias como gripe ou Covid-19.

Classificação Indicativa: Livre


TagsOmsHantavírus

Leia também


Palmeiras encerra primeiro semestre de 2026 com déficit milionário; saiba detalhes


Brasileiro tem renda mensal recorde de R$ 3.367 em 2025 e origem chama atenção